Recorrer a crédito bancário é uma atitude comum para quem está com a corda no pescoço ou pretende investir em algum projeto, seja na aquisição de equipamento para trabalho ou na ampliação de um imóvel. Porém, esse recurso é pouco recomendável por especialistas financeiros, que orientam poupar dinheiro a emprestá-lo, especialmente de instituições bancárias.
A economista e professora Cristiane Thomazini tem uma opinião mais ponderada sobre o assunto. Ela diz que o crédito é recomendável para quem precisa se livrar dos altos juros cobrados pelo cheque especial e cartão de crédito. “Tomando o crédito pessoal, a pessoa trocará uma taxa de 10,5% ao mês por uma de 4,5%. Nesse caso, o empréstimo é muito viável”, explica.
Por outro lado, Thomazini orienta cautela a quem pretende fazer um empréstimo para investir na aquisição de algum bem. Ela recomenda levar em consideração a necessidade do projeto.
“É aconselhável, por exemplo, trocar a mensalidade do aluguel pelo financiamento de um imóvel próprio. Mas fazer empréstimo para adquirir bens de consumo, não é nada viável”, acrescenta.
Contudo, as orientações da economista devem ser seguidas por uma parcela muito pequena da população de Bauru. É o que revela o gerente da Caixa Econômica Federal (CEF) Wanglei Rodriguez Taú. De acordo com ele, o volume de empréstimos aprovados é significativo todos os meses nas agências do banco que operam na cidade.
Rodriguez ressalta ainda que, a grande maioria dos tomadores de empréstimos procura o recurso para complementar a renda mensal. “Eles recorrem ao crédito para cobrir os gastos do dia-a-dia, inclusive o cheque especial”, relata.
Segundo o gerente, a renda da maioria dos tomadores não ultrapassa R$ 2.300,00 e, 70% deles, fazem novos contratos antes de liquidar o anterior. “Essa é uma prática muito comum”, completa.
Por conta de quase a totalidade dos empréstimos ser aprovada através de consignação na folha de pagamento, a inadimplência é pequena, segundo Rodriguez. “Acompanha o ritmos das demissões, ficando em torno de até 4%”, ressalta.