Nacional

Stephanes toma posse na Agricultura

Por Eduardo Scolese, Pedro Dias Leite e Valdo Cruz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente Lula definiu ontem dois novos ministros de sua equipe do segundo mandato: o executivo Miguel Jorge assumirá o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e o deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR), o da Agricultura. Mesmo sem o apoio da bancada ruralista e de setores do agronegócio, Stephanes foi confirmado ontem após conversa com o presidente Lula.

Ele disse ter a “disposição do diálogo” para superar as rejeições do setor produtivo. Miguel Jorge, vice-presidente executivo do Santander Banespa, foi convidado por Lula na quarta-feira. O presidente pediu que ele dê prioridade ao mercado interno, focando em política industrial e desoneração de investimentos. O executivo aceitou depois de pelo menos seis sondados pelo governo recusarem convite para substituir Luiz Fernando Furlan - Jorge Gerdau, Eugênio Staub, Maurício Botelho, Horácio Lafer Piva, Abílio Diniz e Ivo Rosset disseram não.

Miguel Jorge tomará posse na quarta-feira. Já Stephanes toma posse hoje, às 10h, ao lado de Marta Suplicy (PT), nova ministra do Turismo, e de Walfrido Mares Guia (PTB), novo titular das Relações Institucionais. “Não é a primeira vez que exerço função pública, tenho essa disposição de diálogo, de entendimento, de ouvir, de conversa. Não há nenhuma questão restritiva”, disse Stephanes, ministro da Previdência nos governos Collor e FHC.

A tentativa para diminuir a rejeição ao nome de Stephanes começou num telefonema que fez antes da conversa com Lula ao governador Blairo Maggi (PR-MT), conhecido como “rei da soja”. Um jantar com o governador foi marcado para domingo, em Curitiba. “Eu vou conversar com todos (ex-ministros), desde o Pratini de Moraes, que teve uma atuação muito forte, muito boa em relação ao mercado externo, até o Roberto Rodrigues, com quem eu conversei muito no passado, assim como o atual ministro (Luís Carlos Guedes Pinto)”, disse o futuro titular.

Da conversa de Lula com Stephanes também participou o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). Stephanes assume como a segunda opção de Lula. A primeira, o também deputado Odílio Balbinotti (PMDB-PR), fracassou diante da revelação de suspeitas de irregularidades.

Cauteloso após o encontro com Lula, Stephanes evitou comentar assuntos espinhosos. Em entrevista, admitiu que a discussão sobre a publicação de novos índices de produtividade para a desapropriação de terras é um dos “assuntos mais sensíveis” que terá de tratar. Mesmo questionado a respeito, não quis comentar sobre invasões de terra e a expansão da monocultura da soja na região amazônica. Sobre transgênicos, mais cautela: “É uma questão sensível, tem de ser tratada pelo ministro com muito cuidado. Agora, acima de tudo, temos uma lei que regula isso, uma comissão que trata disso e uma posição de governo”.

Stephanes foi secretário da Agricultura de Roberto Requião (PMDB-PR), adversário dos transgênicos e visto com desconfiança pelos ruralistas, majoritariamente em favor dos organismos modificados.

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