Política

Área urbana não suporta novos poços, revela estudo

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

A audiência pública para discutir as questões ambientais no Plano Diretor, realizada ontem, na Câmara Municipal, serviu para que a população tivesse acesso a um dado alarmante, apresentado pelo geólogo Guilherme Pinz: o perímetro urbano de Bauru não suporta a perfuração de mais nenhum poço. O estudo está sendo realizado pela Hidro Brasil, empresa contratada pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) e deve ser concluído em abril. “Depois de diversas avaliações, concluímos que Bauru não pode perfurar mais poços”, afirmou Pinz.

A solução, segundo ele, para que a cidade não tenha problemas com abastecimento, é explorar a bacia do rio Batalha e do córrego Água Parada, fora dos limites urbanos da cidade. Ele alerta que não significa explorar o rio, mas perfurar poços na bacia a mais de 500 metros de profundidade. “As bacias do Batalha e do Água Parada têm mais capacidade de vazão, enquanto a do rio Bauru está com a vazão comprometida”, disse.

De acordo com o geólogo, para perfurar novos poços o DAE deverá procurar locais onde não há perfurações e baixa concentração populacional. Além dessas medidas, evitar que novos empreendimentos perfurem poços próprios, para não piorar a situação. “Os novos empreendimentos de construção civil devem optar por utilizar a rede pública de água”, salientou.

Lembrando o Dia Mundial da Água, comemorado anteontem, Pinz destacou ainda a importância da educação ambiental para evitar o colapso no abastecimento e mesmo a contaminação dos poços e reservatórios. “A educação tem que ser rotineira, e não apenas em dia de comemoração”, frisou.

Pinz, no entanto, não estabeleceu um tempo de vida para a bacia do rio Bauru, apenas comentou que com o passar dos anos a vazão desta bacia vai diminuindo. “Um estudo feito por outra empresa, a Waterloo, mostrou que há diminuição da vazão em períodos de cinco, 20 e 50 anos, podendo ser maior ou menor em cada período”, explicou.

Contaminação

Para o presidente do DAE, José Clemente Rezende, mais do que a questão do abastecimento, o que preocupa é a contaminação do aqüífero Bauru, que por conta da grande utilização e por ser mais superficial, está sujeito a receber elementos contaminantes com mais facilidade, o que foi comprovado pelo estudo. “Temos que tratar a situação com muita responsabilidade”, afirmou.

Outra preocupação é com o custo que o Município teria com a perfuração de poços profundos. De acordo com Clemente para perfurar um poço de 400 metros de profundidade gasta-se aproximadamente R$ 1 milhão. “Fora dessa bacia do aqüífero Bauru, a profundidade aumenta, nós teríamos que buscar água a mais de 500 metros de profundidade, o que acarreta um custo maior”, ressaltou.

O presidente do DAE alertou que para o Município não ter de arcar com esse gasto em um futuro próximo, é fundamental a conscientização. “Temos que tratar com responsabilidade a questão do consumo de água. A conscientização tem que ser permanente e precisa ter a participação da sociedade de forma responsável para que tenhamos a água por muitos anos”, destacou.

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