Se todos os adultos de Bauru e região que estão acima do peso mudassem para uma mesma cidade, seria possível povoar uma comunidade do tamanho de Guarujá. De acordo com estimativa, a população de “gordinhos” chega a 300 mil em um raio de 100 quilômetros de Bauru. Somente no Município, são 97 mil pessoas acima do peso.
Dados colhidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2002 e 2003 e divulgados em dezembro último mostram que 40% dos brasileiros com 20 anos ou mais estavam com sobrepeso. Ou seja, com alguns quilos a mais do que seria normal para sua altura. E que 9% da população era obesa.
Fazendo uma projeção desse percentual sobre a população da região de Bauru com 20 anos ou mais, estimada em 759 mil, chega-se ao número acima. Ou seja, a região tem hoje cerca de 300 mil pessoas acima do peso e 68 mil que são obesas. Isso significa uma cidade do porte de Lins só de obesos. É considerado obeso o indivíduo que está pelo menos 15% acima de seu peso ideal.
Como o levantamento foi feito há cerca de quatro anos, a situação pode ter agravado ainda mais. A obesidade tornou-se uma epidemia e já é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a doença do século 21.
Transformou-se também em um caso de saúde pública, pois é responsável por uma série de problemas como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, colesterol elevado, redução do HDL (colesterol bom) e aumento do LDL (colesterol ruim), além das doenças coronarianas e do desgaste psicológico. Quanto mais avança a obesidade, maiores são os gastos para tratar dessas doenças.
Diante desse desafio, a busca de alternativas para um emagrecimento com qualidade de vida é cada vez maior. Para o endocrinologista Flávio Gerdulo Miano, a melhor opção já é conhecida de todos. “Não tem segredo. É a velha fórmula da alimentação saudável associada a atividade física”, diz ele, ressaltando a importância de quem tem problemas cardíacos e diabetes de procurar um médico antes de qualquer exercício.
Na opinião do nutricionista Roberto Carlos Burini, existe uma variedade muito grande de dietas hoje em dia, mas quase todas de comprovação científica duvidosa. Segundo ele, “o obeso não emagrece pelo que come e sim por aquilo que deixa de comer”. Burini é o coordenador do Centro de Metabolismo em Exercício e Nutrição (Cemenutri) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.
Quem luta contra a balança deve evitar a todo custo doces, refrigerantes, comidas gordurosas, frituras, carboidratos simples e alimentos embutidos (salsicha, presunto, mortadela), entre outros.
Eles devem ser trocados por alimentos ricos em fibras, carne magra, cozida, assada ou grelhada, suco natural, verdura, legumes e frutas todos os dias, além de muita água. A alimentação tem de ser fracionada. Ou seja, comer mais vezes ao dia e em pequenas quantidades. Outra recomendação importante é não pular as principais refeições.
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Transformações
Para Teresa Bolzan, coordenadora do curso de nutrição da Universidade do Sagrado Coração de Jesus (USC), o padrão alimentar do brasileiro tem sofrido muitas transformações. O principal fator é a influência do estilo de vida moderna, que favorece o consumo de alimentos industrializados e a substituição das refeições por lanches rápidos.
O consumo exagerado de alimentos calóricos e a falta de atividades físicas são apontados pelos profissionais da saúde como a combinação perfeita para os quilinhos a mais.
O nutricionista Roberto Carlos Burini comenta que, nas últimas décadas, os alimentos naturais, mais nutritivos, foram trocados por “itos”, “ers” e “olas” que privilegiam o sabor e o preço, e não a nutrição e a saúde. Além disso, ele lembra que a mecanização dispensou o homem do exercício físico e gerou o sedentarismo, que foi agravado pela “tecnologia do bem-estar e do conforto”, como o uso freqüente do carro, elevadores, escadas rolantes, controles remotos, entrega a domicílio, etc.
Segundo o endocrinologista Flávio Miano, exercícios físicos são indispensáveis para um corpo e mente saudáveis. Principalmente as atividades aeróbicas, como caminhadas, esteira, bicicleta, hidroginástica e natação, entre outras. O ideal é que os exercícios sejam diários, mas se isso não é possível, pelo menos de três a quatro vezes por semana. “É importante manter uma regularidade”, orienta Miano.