Bogotá - Naquela que é considerada a maior favela da América do Sul - de 800 mil a 1 milhão de habitantes -, a Ciudad Bolívar, em Bogotá, jovens ressocializados após anos de militância na criminalidade tiram da delinqüência colegas de 10 a 22 anos disputados pelos três grupos armados que atuam na área: os paramilitares, os guerrilheiros das Farc e as gangues juvenis.
O sucesso da iniciativa, que tem ajudado a reduzir a violência na capital colombiana, foi apresentado a autoridades de segurança pública brasileiras e aos governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), e do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PFL). Pelo menos no Rio, a iniciativa poderá ser adotada. Os ressocializados estudam e freqüentam oficinas profissionalizantes de qualidade na periferia de Bogotá, em um projeto de uma ONG, apoio da prefeitura e financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Entre suas tarefas, está a de visitar Ciudad Bolívar para conversar com os novatos do crime, mostrando-lhes as opções mais civilizadas. Em uma espécie de pacto informal, nenhum dos três grupos antagônicos - nem a polícia- os atrapalham.
No Rio, imagina o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o modelo poderá ser vitorioso, pois as favelas são muito menores que Ciudad Bolívar. Além disso, as facções cariocas não se misturam nas favelas. Em cada uma, um grupo exerce o controle. Medidas como essas, e outras de urbanização, segurança e justiça, fizeram Bogotá passar, a partir da década de 90, de cidade caótica e violenta para modelo àquelas localidades que enfrentaram problemas do tipo e querem mudar.
Em 1993, a média de homicídios por 100 mil habitantes foi de 80. Hoje, está em torno de 18. Situação bem parecida é a de Medellín, antigo reduto dos cartéis de cocaína e atualmente uma cidade progressista, a 400 km da capital. No ano passado, a média de homicídios foi de 29 por 100 mil habitantes. Em 1993, um recorde bastante difícil de ser superado: 311 homicídios por 100 mil habitantes. Em Medellín, os governadores visitaram a favela Santo Domingo, em processo acelerado de urbanização, até mesmo com um teleférico ligando-a ao que no Brasil é chamado de asfalto. Vivem na favela e em sua parte baixa, a Andaluzia, cerca de 200 mil pessoas.
Em toda a cidade de 2,6 milhões de habitantes, cerca de 1,2 milhão está em favelas.