Internacional

Calma volta ao Congo após conflitos

Folhapress
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Kinshasa - A calma retornou gradativamente às ruas de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (Ex-Zaire), ontem, após dias de violentos confrontos nas ruas que deixaram um número ainda desconhecido de mortos. O conflito entre tropas do governo e homens do Exército leal ao senador e ex-vice-presidente Jean-Pierre Bemba teve início na manhã da última quinta-feira, e até a tarde de anteontem havia deixado ao menos 60 mortos.

As forças de segurança governamentais retomaram o controle da capital na noite de anteontem. Durante a luta, tiros de morteiros chegaram a atingir prédios em Brazzaville, capital do vizinho Congo, a 4,5 km de distância.

Um total de 109 soldados leais a Bemba se entregaram em uma base da Organização das Nações Unidas (ONU), como exigido pelo governo para o cessar-fogo. Outros 44 foram detidos quanto tentavam cruzar o rio Congo até o país vizinho de mesmo nome, segundo a polícia. Bemba não deixou a Embaixada da África do Sul, onde se refugiou quando a luta começou perto de sua casa na quinta-feira.

Ontem, ambulâncias do Comitê Internacional da Cruz Vermelha podiam ser vistas cruzando a capital para recolher corpos das ruas. Alguns dos mortos estavam jogados na cidade, cobertos de moscas e formavam poças de sangue no chão.

Barricadas foram armadas por toda a capital. Um veículo blindado militar estava estacionado do lado de fora de uma das residências principais de Bemba, que foram tomadas pelas forças do governo, depois do início dos conflitos. No momento, os tiroteios cessaram.

Os confrontos foram os primeiros na capital desde que Joseph Kabila derrotou Bemba nas eleições para a Presidência da República Democrática do Congo, em 2006, tornando-se assim o primeiro líder escolhido em eleições livres na ex-colônia belga desde 1960.

Por ser ex-vice-presidente, Bemba ainda conta com uma tropa particular ligada a ele, resquício da guerra que assolou o país entre 1998 e 2003, matando cerca de 4 milhões.

No entanto, recentemente, o atual governo resolveu acabar com as tropas, seguindo o que prevê a Constituição. Além da proibição das tropas, o estopim dos confrontos armados foi o seqüestro do irmão de Bemba na quarta-feira, que foi visto como uma “provocação”. O principal procurador do Congo, Tsaimanga Mukenda, emitiu ontem um mandado de prisão para Bemba por “alta traição”.

Ele refugiou-se na Embaixada da África do Sul, enquanto seu Exército pessoal e tropas do governo lutam nas ruas de Kinshasa. Segundo Mukenda, nem a imunidade parlamentar de Bemba nem o fato de que ele buscou refúgio na embaixada sul-africana podem impedir a sua prisão.

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