Internacional

Militares britânicos são levados a Teerã

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Teerã - Forças de segurança do Irã interrogaram ontem os 15 militares britânicos capturados anteontem e disseram que eles “confessaram” ter penetrado nas águas territoriais do país, naquilo que o regime local qualifica de “ostensiva agressão”.

Os oito marinheiros e sete marines foram transportados para Teerã. A suposta “confissão” foi relatada pelo general Ali Raza Afshar, em declarações a uma agência local.

O Reino Unido afirmou não haver dúvidas de que as duas lanchas em que seus militares estavam ao serem interceptados se encontravam em águas territoriais do Iraque.

Os britânicos têm mandato da ONU para patrulhar aquela região do golfo Pérsico, para reprimir o desembarque de contrabando e de armas que abasteçam a insurgência no Iraque. O episódio abriu uma nova frente na crise internacional já crônica entre o Irã e o Ocidente.

O Conselho de Segurança se preparava para votar ontem, em Nova York, novas sanções contra o regime iraniano, por sua recusa de interromper o enriquecimento de urânio.

Prevalecia a exigência de Londres comunicada na sexta de que os 15 militares sejam libertados e de que o Irã explique os motivos da captura.

Os Estados Unidos se solidarizaram com o governo britânico. Ontem, a União Européia se pronunciou. O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank Walter Steinmeier, afirmou em Berlim “exigir a imediata soltura dos soldados britânicos” e disse que nas horas seguintes publicaria comunicado a respeito, utilizando a prerrogativa de ocupar a presidência rotativa do bloco.

As “confissões”

A BBC entrevistou anteontem Christopher Adams, um dos reféns capturados pelo Irã em circunstâncias parecidas, em julho de 2004. Ele disse que o grupo foi mantido numa cela, com vendas nos olhos, e que foi levado a uma região desértica com a ameaça implícita de que todos seriam fuzilados.

Na época, o regime iraniano também disse que os militares britânicos “confessaram” ter penetrado em suas águas territoriais. Mas Adams nega que isso tenha ocorrido.

Em sua edição de ontem, o jornal britânico “The Guardian” lembra que o Irã se vê hoje fortalecido como a grande potência regional, depois que seus dois principais inimigos - o grupo sunita Taleban, no Afeganistão, e o regime de Saddam Hussein, no Iraque - foram eliminados.

A situação é paradoxal, já que quem derrubou os “concorrentes” do Irã foi seu principal opositor, os Estados Unidos.

Comentários

Comentários