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Papamóvel usado por João Paulo II será leiloado para pagar dívidas

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu – Um dos veículos utilizado pelo papa João Paulo II, quando de sua primeira visita ao Brasil em 1980, pertence atualmente à Massa Falida da Caio. O veículo, que ainda se encontra conservado em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), poderá ser leiloado em breve para pagar as dívidas da empresa com os credores.

A Caio, empresa automobilística de Botucatu, anunciou sua falência em 2000 e, desde então, passou a ser controlada pelo Grupo Ruas, após a concordata da mesma. A empresa Induscar, detentora da marca Caio, abriga e conserva até hoje o veículo papal em seu pátio.

Apesar de estar em bom estado de conservação, afinal só foi utilizado uma única vez por conta da visita de João Paulo II em 1980, a comissão de religiosos que cuida da visita papal no Brasil, provavelmente, não aprovaria a segurança do papamóvel que está em Botucatu. Isso se explica pelo fato de que ele foi projetado para a realidade daquela época.

Ao contrário do cerimonial do Papa Bento XVI, que deve trazer o papamóvel do Vaticano para o religioso usar aqui, o carro utilizado por João Paulo II foi construído no Brasil em 1980 pela Caio. Naquele ano, João Paulo II ainda não havia sofrido o atentado, promovido pelo turco Ali Agca (no ano seguinte na Praça de São Pedro), que o deixou debilitado fisicamente até o fim de seus dias.

A opção do Vaticano, em trazer o veículo que Bento XVI usará no Brasil, é reflexo dos novos tempos que exigem segurança reforçada para evitar possíveis atentados como aquele ocorrido no dia 13 de maio de 1981. O papamóvel que está em Botucatu, dessa forma, não é considerado seguro já que é aberto e não possui cabina de segurança com vidros blindados a prova de bala. Portanto, mesmo o Brasil não possuindo histórico de atentados contra chefes de estados, a comissão religiosa acredita que toda segurança é pouca para evitar incidentes.

Segundo a assessoria de imprensa da Induscar, o papamóvel utilizado por João Paulo II passou por polimento em 2001 e ainda conserva as suas características originais. Com sete metros de comprimento, o automóvel foi construído sobre um chassi Mercedes Benz L 608 sendo que suas poltronas são do tipo rodoviário luxo. A poltrona do papa foi colocada em uma posição elevada para melhor visualização para o povo. O veículo tem capacidade para abrigar até 13 pessoas, entre elas, os seguranças. O papamóvel está pintado com as cores do Vaticano, ou seja, dourado e branco. Nas portas laterais do veículo, também estão pintados o brasão de João Paulo II.

Leilão

De acordo com Orlando Pampado, síndico da Massa Falida da Caio, é provável que o veículo seja leiloado e o dinheiro utilizado para quitar as dívidas deixada pela empresa. “Ele vai ser leiloado mas não tem previsão de data porque nós estamos terminando (de quitar) a parte trabalhista e vamos entrar na parte tributária. É possível até que nós façamos a compensação dele (papamóvel) com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou municipal. Mas de imediato nós pensamos em leilão”, comenta o advogado.

Segundo Pampado, o papamóvel chegou a ser avaliado em R$ 50 mil, na época em que passou a fazer parte da Massa Falida da Caio, há cerca de sete anos. No entanto, o síndico lembra que será necessário fazer uma reavaliação do valor do veículo antes de leiloá-lo.

Além do valor material, o veículo possui valor simbólico, principalmente para os católicos. “Ele tem uma representação religiosa muito grande e nós temos uma responsabilidade dobrada com este bem. Se em um leilão ele alcançar um bom valor nós podemos direcionar esta verba para o primeiro credor que tem direito a receber”, diz.

Pampado explica que a dívida com os ex-funcionários da Caio já está em fase final de quitação. “Já estamos acabando de pagar os funcionários. Eles tinham direito a R$ 13,5 milhões e está faltando somente R$ 1,5 milhão”, lembra, ressaltando que é provável que o dinheiro arrecadado com o papamóvel, futuramente, seja destinado ao pagamento de dívidas tributárias ou outros credores.

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