Saúde

Toques e retoques: O uso indiscriminado dos medicamentos para emagrecer

Daniela Hueb*
| Tempo de leitura: 5 min

Prezado leitor,

A obesidade é considerada uma doença multifatorial, isto é, que pode ser desenvolvida por diversos fatores, como alimentação inadequada, falta de atividade física, níveis bioquímicos do sangue alterados e até mesmo problemas genéticos, como maior número de células absortivas no intestino e desequilíbrio do hormônio que estimula o apetite e a saciedade. Tudo isso colabora e muito para dificultar a perda de peso. Mas, como se não bastasse, a obesidade é responsável também pelo surgimento de outros males no organismo que vão desde a diabetes, hipertensão arterial, depressão até doenças cardíacas, respiratórias e articulares. Vale lembrar que a obesidade não tem cura e sim controle. E deve ser acompanhada rotineiramente.

Hoje, com a excessiva oferta de alimentos saborosos e a facilidade de obtê-los apenas com um clique, fica cada vez mais difícil fazer uma dieta sem ajuda de algum grupo de apoio ou de profissionais especializados. Porém, com a supervalorização da magreza e da aparência física mais acentuadas na mídia, as pessoas estão deixando de lado os valores mais importantes da vida: a essência, a cultura e o aprimoramento de nossa inteligência.

Nas revistas, o que mais se vê são dicas de dietas e exercícios físicos milagrosos que garantem um corpo perfeito. Sabemos, no entanto, que essa perfeição não existe. As belas mulheres que estampam as capas das revistas passam por uma verdadeira lipoescultura através dos programas de computador, que corrigem até a alma. Algumas chegam a ficar irreconhecíveis.

Todo esse glamour e perfeição física, infelizmente, incentivam ainda mais os adolescentes a buscarem o corpo dessas beldades a todo custo. Por isso está cada vez mais comum ouvirmos falar de casos de jovens que sofrem de bulimia ou anorexia, doenças que podem levar à morte. Vemos também crescer o consumo indiscriminado de pessoas que utilizam laxantes, diuréticos e medicamentos para emagrecer, adquirindo os produtos sem receita médica através da Internet e de algumas farmácias inescrupulosas. Isso sem contar, é claro, aqueles produtos para emagrecer que aparecem na televisão e que, por uma fatia gorda do salário do telespectador, garantem uma transformação completa sem nenhum tipo de esforço físico.

É muito perigoso utilizar qualquer tipo de medicamento sem acompanhamento médico. O uso de alguns laxantes em excesso pode irritar a mucosa do intestino e desenvolver um câncer no local. Os vômitos provocados repetidamente podem alterar a camada externa do esôfago, uma vez que ele não está preparado para receber o ácido clorídrico do estômago. Imagine: se a pessoa vomita muitas vezes ao dia, o organismo é obrigado a produzir uma nova camada de proteção para o esôfago, que no decorrer do tempo também se transforma em um câncer no local. Já a utilização excessiva de diuréticos pode desenvolver alterações cardíacas e hipotensão.

Para iniciar um tratamento para emagrecer é necessário consultar um médico especialista e fazer exames complementares de sangue. A confiança no médico é fundamental, uma vez que o paciente deverá receber acompanhamento durante todo o período em que se submeter ao tratamento, que em alguns casos pode ser bem longo.

Embora o uso de remédios ainda seja condenado, pois obesidade ainda é um assunto muito novo, em alguns casos ele é necessário, principalmente quando o paciente não consegue fazer reeducação alimentar sozinho. É melhor tratar agora o excesso de peso com dietas específicas e alguns medicamentos do que remediar as doenças futuras decorrentes da obesidade. Importante: pessoas que têm depressão, doenças cardíacas e hipertensão não podem ingerir anfetamínicos.

____________________ Saudável

Hoje, há uma variedade extensa de opções que auxiliam no emagrecimento saudável. Mas sem dieta e atividade física associada, tenha certeza, nenhuma trará sucesso. Até mesmo as cirurgias de redução de estômago e intestino não são milagrosas. Se não houver uma mudança de hábitos alimentares e de vida, o paciente volta a engordar tudo de novo.

Todos esses recursos devem ser encarados apenas como ferramentas para ajudar na reeducação alimentar e na retomada das atividades físicas. Após atingir a meta desejada, a manutenção do peso é primordial. O ideal é que o paciente mantenha por um mês cada quilo que foi eliminado.

Muitas pessoas acreditam que a interrupção do remédio é que faz com que subam os ponteirinhos da balança. Isso, no entanto, não é verdade. O que traz os quilinhos anteriores de volta é o retorno dos pacientes aos velhos hábitos alimentares, ou melhor, o fato de não adotarem um novo hábito alimentar mais saudável ou praticar atividade física.

Se não tem tempo para ir à academia, vá caminhando para o trabalho, à padaria, na casa de algum amigo. Caso utilize o ônibus como meio de transporte, desça sempre um ponto antes e caminhe até o local onde quer chegar. Dê preferência às escadas aos elevadores. Evite usar o controle remoto, levante do sofá para trocar de canal. Atividades como faxina também ajudam a queimar calorias. Em alguns casos é necessário também psicoterapia. Aliás, eu acho que todo mundo deveria freqüentar um psicólogo. É muito válido.

É fundamental que todos se conscientizem de que para adquirir qualidade de vida é necessário arrumar um tempinho na agenda para a prática de atividades físicas e também para o lazer. E vou repetir mais uma vez: procure um médico antes de se automedicar ou iniciar qualquer tratamento à base de emagrecedores.

O nosso corpo e a nossa saúde é o nosso bem mais precioso. Sem eles não podemos fazer nada na vida. Pense nisso e melhore seus hábitos a partir de agora!

Um grande abraço e até o próximo domingo.

* Médica, CRM-SP 96.027 e-mail:danielahueb@jcnet.combr

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