Bairros

Ela rejeitam a política formal

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar de ainda não terem adquirido grande representavidade nos parlamentos, as mulheres participam da política de maneira intensa. Esta, pelo menos, é a opinião de Jussara Reis Prá, professora do departamento de ciência política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autora de diversos trabalhos que tratam da questão.

“Nossas observações apontam que existe uma espécie de rejeição das mulheres à política formal. Elas não querem se filiar a partidos nem concorrer a cargos eletivos. Por outro lado, elas atuam ativamente nas instâncias não-formais, ou seja, elas participam de associações de moradores, sindicatos, pastorais”, explica.

Ela aponta diversos fatores que ajudam a explicar o desinteresse feminino pela política partidária. “Em primeiro lugar, temos de considerar que, a despeito das cotas (instituídas em 1995, elas determinam que os partidos reservem de 30% de suas vagas para cada um dos sexos), as legendas ainda não dão espaço para as candidaturas femininas. Isso fica claro quando observamos a composição das chapas. Quase sempre elas são encabeçadas por homens, que também gozam de mais tempo no horário eleitoral gratuito”, diz Prá.

Por outro lado, a própria demora nos procedimentos dos meios tradicionais também ajudam inibir o interesse feminino por essa forma de atuação política. “Em geral, os resultados práticos desse tipo de atuação tardam a se materializar. Isso faz com que as mulheres busquem outras maneiras para solucionar os problemas do lugar onde vivem”, afirma.

Prá ressalta uma informação curiosa, que parece contrastar com a baixa presença das mulheres nos principais centros de discussão política do País. “Levantamentos realizados nos últimos anos têm demonstrado que existe no eleitorado uma propensão a apoiar candidaturas femininas. Ao que tudo indica, a maioria da população vê com bons olhos a presença das mulheres nos governos e nos parlamentos”, garante.

De acordo com ela, 87% dos eleitores votariam em uma candidata à prefeita, por exemplo. “O problema, portanto, está na falta de interesse das mulheres pela política formal”. A bauruense Haydee das Dores de Souza, presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, concorda com essa visão. “Temos de realizar um grande trabalho de conscientização com as mulheres, para que elas passem a conhecer os próprios direitos. Só assim elas despertarão para a política”, acredita.

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