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Educação - segundo tempo


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A mídia tem sido acusada por alguns segmentos partidários de estar dominada pela síndrome da hostilidade ao governo Lula. Para eles, a imprensa estaria sob o controle do “poder econômico”. Queixam-se de que iniciativas governamentais bem-sucedidas têm, supostamente, recebido pouco destaque ou, quando muito, migram para o lusco-fusco das páginas interiores. Essa hipotética tendência, no entanto, acaba de ser derrubada pela força de uma boa notícia: o anúncio pelo presidente Lula do Plano de Desenvolvimento da Educação. A iniciativa, inovadora e consistente, recebeu amplo destaque nos meios de comunicação social.

Passados quatro anos do primeiro mandato, tempo em que o governo patinou numa agenda excessivamente ideológica e populista, o presidente Lula, finalmente, lançou as bases do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). O projeto, perfilado com competência pelo ministro da Educação Fernando Haddad, pretende estabelecer sistemas de definição de metas, de avaliação e de cobrança de resultados nas escolas de todo o País.

Da Provinha Brasil - uma avaliação que incluirá estudantes a partir dos 6 anos de idade para verificar se estão aprendendo e, afinal, alfabetizados- à ampliação do Bolsa Família para incluir jovens de 15 e 17 anos, todas as ações passam pela idéia de aumentar o alcance e o resultado do sistema educacional, investindo dinheiro e recursos técnicos para tirar a educação do “pior dos mundos”, conforme definiu o próprio presidente Lula ao apresentar o plano para uma platéia de educadores.

Em resumo, caro leitor, o programa, elogiado até por educadores da oposição, prevê o estabelecimento de metas para o ensino fundamental, de responsabilidade basicamente dos municípios; a ação federal não só no acompanhamento, mas na melhoria dos métodos de gestão; melhor remuneração e qualificação dos professores e retomada do conceito de Bolsa Escola com a extensão do Bolsa Família para jovens de 15 a 17 anos, onde há grave evasão escolar e existe abundante mão-de-obra à disposição do crime.

O plano ambicioso, mas realizável, é a melhor resposta à violência que atordoa a sociedade brasileira. A miragem do dinheiro fácil, principal ferramenta de aliciamento do crime organizado, prospera nos corações machucados pela falta de educação e pela agonia da esperança. A desestruturação da família, a exclusão social e a crise da educação, fenômenos perversos que costumam caminhar juntos, estão na raiz do problema da delinqüência. Se a crescente falange de adolescentes criminosos deixa claro algo, é o fato de que cada vez mais jovens são órfãos de um sistema educacional falido. Por isso, um programa que, com seriedade, pretende recolocar a educação na agenda nacional merece o apoio de todos os que têm uma parcela de responsabilidade na formação da opinião pública.

O presidente Lula, ademais, abandonou o discurso da grandiloqüência e adotou um tom admiravelmente realista e humilde. Em improviso a educadores de todo o país, Lula disse que possui “inquietações”, mas nenhuma “solução” para melhorar a qualidade do ensino fundamental do país. “Eu vim aqui apenas para dizer a vocês das minhas inquietações. Não tenho solução. As soluções que eu tenho, possivelmente, algumas são válidas e outras não. Mas o que eu sei, concretamente, é que estamos em dívida com a educação.”

As palavras do presidente da República, simples, despojadas e diretas, tocaram na fibra sensível da cidadania. É óbvio que um improviso não muda nada. É claro que não há dinheiro sobrando. O governo precisa escolher: ou continua despejando rios de recursos no ralo de uma previdência falida e em gastos de impacto popular imediato e estará arando no mar; ou investe onde deve: na educação, por exemplo. Um plano de desenvolvimento da educação sólido, republicano e despido de viés ideológico pode virar o Brasil do avesso. É por aí, presidente!

O autor, Carlos Alberto Di Franco, é diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia. E-mail: difranco@ceu.org.br

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