Regional

Produtor migra e gera expansão da cana

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Lençóis Paulista - A expansão das lavouras de cana-de-açúcar na região de Bauru tem causado um fenômeno econômico importante para a agricultura. Tradicionais produtores das lavouras brancas (arroz, feijão e soja, entre outras) e pecuaristas estão migrando para a cana. A migração é causada por dois fatores: a aposta no etanol (álcool combustível) e a pequena remuneração propiciada por algumas atividades agropecuárias.

Para o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, o que leva o produtor à migração é a rentabilidade do hectare plantado com cana em relação a outras produções. Para exemplificar, ele explica que o produtor ganha R$ 1,00 por hectare com a pecuária instalada, enquanto fatura R$ 3,00 com o hectare da cana.

A monocultura da cana vem tomando áreas antes empregadas em outras atividades econômicas, em uma expansão na faixa de terras que começa em Botucatu e vai na direção de Bauru, pela margem esquerda do rio Tietê. Essa gigantesca área de migração de lavouras abrange Boracéia, Pederneiras, Macatuba, Areiópolis, Pratânia, Avaré, Lençóis Paulista, Águas de Santa Bárbara, Domélia, Agudos, Borebi e vai até Piratininga.

Com a “nova fronteira” produzindo cana-de-açúcar, a região recebeu um incremento de 12 mil hectares só no ano passado, para a primeira colheita em 2008, conforme relato de Élio Pires de Camargo, gerente operacional da Associação dos Plantadores do Médio Tietê (Ascana). Camargo revela que o acréscimo da produção será de aproximadamente 1 milhão de tonelada – retiradas dos 12 mil hectares.

A Ascana integra 1.020 produtores responsáveis por 500 contratos de fornecimento do produto, que este ano representam cerca de 7,4 milhões de toneladas.

A produção é destinada para as usinas Zillo Lorenzetti, Santa Maria, São Manuel e também da região de Manduri. Camargo esclarece que as novas áreas tomadas pela cana antes eram pastagens ou usadas no cultivo da lavoura branca. “A migração é uma tendência em todo o Estado de São Paulo, porque não existe expansão para área de floresta (preservação)”, salienta.

Já os produtores da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana) são responsáveis por 14 milhões de toneladas de cana por safra. Metade dessa produção é processada na usina de Barra Bonita, considerada a maior usina de açúcar e álcool do mundo em capacidade de moagem.

Segundo o gerente operacional da Ascana, Élio Pires de Camargo, a cana para álcool combustível “dá Ibope” (índice que mede audiência de programas televisivos). Para Camargo, o País corre sérios riscos de enfrentar problemas com o preço do álcool combustível, como reflexo da expansão atual de áreas plantadas, principalmente, nas regiões central e sudeste do Brasil.

Ele aponta como problema o preço da tonelada de cana para a safra 2007, projetado para ficar muito próximo do valor do custo da implantação da lavoura canavieira. Isso poderia pressionar os preços ao consumidor final. “O valor do litro do álcool pode ficar instável na bomba dos postos de combustíveis”, projeta.

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