Tribuna do Leitor

O pobre “perseguido”...


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Em grande estilo, Collor de Mello volta à cena política no importante cargo de senador da República pelo Estado de Alagoas. Mudando seu habitual estilo, de agressivo para humilde, substituiu os rompantes e faniquitos do passado, por um ar de desamparo e uma estudada emoção, com direito a fungadas e tremor na voz. Como era de se esperar, atribuiu seu “impeachment” à “perseguição das elites”, não fosse ele próprio legítimo representante daquelas. Foi apeado do poder, segundo ele, por uma farsa julgadora. Trouxe como trunfo as absolvições que teve na Justiça a respeito de fatos que motivaram o seu defenestramento.

Tem todo o direito de espernear à vontade. Porém, estamos carecas de saber que os julgamentos congressuais são eminentemente políticos. Recentemente tivemos a cassação de mandato do deputado José Dirceu, dito “chefe da quadrilha do mensalão”, cujo mensalão, sob o ponto de vista jurídico, não ficou provado.

Se absolvido na Justiça, Zé Dirceu ao retornar ao parlamento desfrutará da mesma pompa e circunstância com que se revestiu o novo “début” de Collor de Mello? O ridículo da cena bufa foram as inúmeras manifestações de senadores, alguns deles participantes e votantes do processo de “impeachment”, que corroboraram as palavras do ex-presidente. Particularmente os candentes e emocionados apartes dos senadores Tasso Jereissati (PSDB), Arthur Virgílio (PSDB), Garibaldi Alves (PMDB), Valdir Raupp (PMDB) e Romeu Tuma (PD ex-PFL), este chegando às lágrimas. Pudera ! No “glorioso” governo “collorido”, Tuma foi simultaneamente secretário da Receita Federal e diretor da Polícia Federal. Está explicado.

Marco Antônio de Souza - advogado - OAB-SP 55.799

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