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Leishmaniose: 3.500 cães vacinados

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Embora ainda não seja recomendada para campanhas públicas, a vacina contra a leishmaniose já imunizou cerca de 3.500 cães de Bauru. Eles receberam três doses do medicamento, num intervalo de 21 dias. Nesta situação, a proteção varia de 97% a 98%, conforme previsão do laboratório fabricante.

Mas a dificuldade para a vacinação em massa também esbarra nos exames sorológicos. Como a vacina é produzida a partir de um açúcar retirado da membrana externa da leishmânia, os animais vacinados podem apresentar resultado positivo para a doença quando submetidos a exames sorológicos em programas de combate à leishmaniose.

“O animal, quando tem uma resposta imune, produz anticorpo. (O teste) não consegue distinguir o anticorpo da doença com o anticorpo da vacina. Agora nós temos duas maneiras (de fazer a distinção). Nós vamos começar a divulgar”, explica Ingrid Menz, médica veterinária, doutora em virologia e gerente da empresa fabricante da vacina.

Ontem, ela esteve em Bauru reunida com proprietários de clínicas veterinárias para informar sobre os avanços na área. Um deles tem relação com o teste Elisa. Apenas dois laboratórios são registrados pelo Ministério da Agricultura para realizá-lo no País. Um dos kits é do laboratório do governo federal Bio-Manguinhos. O outro é da Biogene.

“Nós fizemos trabalhos mais científicos e descobrimos que eles (os exames de cães vacinados) dão negativo no kit Biogene e positivo no Bio-Manguinhos. Então, o animal que for coletado o soro e for positivo, o proprietário pode pegar a mesma mostra ou outra mostra e mandar fazer um Elisa num laboratório particular que use o Biogene”, comenta.

Existe ainda um outro método de diagnóstico denominado citometria de fluxo. No entanto, ainda não é usado. Está em fase de ser patenteado. Diante da situação, Menz recomenda a realização de um teste comprobatório parasitológico.

Ele oferece mais garantias porque identifica a própria leishmânia e não o anticorpo. A população canina estimada em Bauru é de 89 mil animais, segundo dados levantados pelo Instituto Pasteur e divulgados em 2005.

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Portaria

Ontem, durante palestra ministrada em Bauru, a veterinária Ingrid Menz também falou sobre a portaria interministerial assinada pelas pastas da Saúde e Agricultura. Segundo ela, com a experiência prática do laboratório para o qual trabalha, o governo federal padronizou o desenvolvimento de vacinas, aprovada pelo Ministério da Agricultura.

“A Secretaria Municipal de Saúde não se opõe a quem quer vacinar. Mas recebemos circulares do Ministério da Saúde não recomendando o uso em campanhas públicas”, explica o titular da pasta de Bauru, Mário Ramos.

De acordo com ele, a incidência de leishmaniose em cães varia de 3% a 10% da população canina, dependendo do bairro onde foi registrado um caso em humanos. Neste ano, quatro pessoas já foram infectadas pela doença. No ano passado, foram 68 confirmações, com quatro mortes.

Transmitida pelo mosquito palha, que se prolifera em material em decomposição, a leishmaniose atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provocando processo infeccioso e anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente.

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