Nacional

Taxa de juros cobrada por bancos é menor desde 2000

Por Ana Paula Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - As taxas de juros cobradas nas operações de crédito destinadas às pessoas físicas caíram para 51,7% ao ano em fevereiro, o menor patamar já registrado na série histórica do Banco Central (BC), iniciado em junho de 2006. O recuo de 0,6 ponto percentual foi influenciado pela queda nos spreads, que é a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa efetiva cobrada dos clientes, que passou de 40 pontos percentuais em janeiro para 39,6 pontos percentual no mês passado. A queda nos juros foi verificada em todas as modalidades de crédito.

O maior recuo foi registrado na taxa cobrada para a aquisição de bens (exceto veículo), que foi de 1,4 ponto percentual, para 57,9% ao a no. Já no caso das operações destinadas para a aquisição de veículos, o recuo foi menor, 0,7 ponto, para 32% ao ano. No crédito pessoal, a queda foi de 0,9 ponto percentual, para 56,3% ao ano em fevereiro. Dentro dessa modalidade está o crédito consignado - desconto em folha de pagamento -, que ficou em 32,5%, ante 33% no mês anterior.

Apesar da queda dos juros para os menores patamares já registrados, a redução do spread dos bancos - e também das taxas efetivamente cobrada dos clientes - ocorre em um ritmo menor do que o da redução da taxa de juros, que foi iniciada em setembro de 2005. Ela já sofreu um corte de sete pontos percentuais e está em 12,75% ao ano.

Em relação à pontualidade dos consumidores brasileiros, a taxa de inadimplência apresentou em fevereiro uma queda de 7,5% para 7,3%. Nas empresas, ela passou de 2,8% para 2,7%. Com isso, a taxa média (pessoas físicas e jurídicas) caiu 0,1 ponto percentual, para 4,9% em janeiro.

A demanda por empréstimos por parte das famílias no início do ano continua puxando o aumento do volume de crédito do sistema financeiro. No mês passado, chegou a R$ 747,589 bilhões, uma elevação de 1,1% na comparação com janeiro e de 21,4% nos últimos 12 meses, de acordo com dados divulgado ontem pelo BC.

Já na comparação com o Produto Interno Bruto (PIB), o volume de crédito subiu para 34,6% no mês anterior. Em fevereiro de 2006, estava em 31,6%. “A evolução das operações de crédito do sistema financeiro em fevereiro continuou vinculada ao desempenho dos empréstimos referenciados em recursos livres, evidenciando, basicamente, a demanda por empréstimos bancários pelas famílias. Os financiamentos relativos ao segmento de pessoas jurídicas, após recuo sazonal em janeiro, registraram expansão tanto das carteiras com recursos domésticos quantos com recursos externos”, diz a nota do BC.

O estoque de crédito com recursos livres era de R$ 509,7 bilhões (68,2% do total), um crescimento de 1,5% no mês e de 23,4% no acumulado de 12 meses. O aumento foi maior nas operações destinadas a pessoa física: 1,6%. Para as empresas, a retração foi de 1,4%. Já a parcela correspondente a recursos direcionados - como empréstimos do BNDES e financiamento para o setor habitacional - somou R$ 237,685 bilhões, um crescimento de 0,3% no mês e de 17,3% em 12 meses.

Comentários

Comentários