Celebrando o Dia Internacional do Teatro, o Curso Livre de Teatro Paulo Neves traz ao Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves dois espetáculos de estilos diferentes e que representam a produção do Interior paulista. Hoje, o público pode conferir mais um exemplar do universo do “maldito” Plínio Marcos em “Madame Blavatsky”, com a Unoeste Cia. de Teatro; e amanhã, há sessão de “A Lágrima de Einstein”, da Theatro 2 Produções, ambas de Presidente Prudente.
Na descrição do diretor Fábio Nougueira, “Madame Blavatsky” é uma “megaprodução”, com grandes cenários e objetos de cena, tablados, uso de pólvora e elementos circenses, como pirofagia e perna-de-pau. Em sua terceira montagem do texto de Plínio Marcos, Nougueira quis atualizar a interpretação e realizou uma “ópera rock jovem”, em suas palavras, porém sem alterar o texto do dramaturgo, de 1985.
“Quis fugir dos padrões, por isso a peça é ambientada em um beco, é uma homenagem ao Plínio e sua postura marginal, e há ainda os elementos circenses. Na última vez que estive com Plínio, ele estava com uma camiseta velha e uma calça rasgada. Quis usar esses elementos no figurino, também como homenagem. Ao invés de fazer a reprodução de época, coloquei os atores com essa estética toda rasgada”, explica o diretor.
O texto de “Madame Blavatsky”, apresentado na íntegra e sem modificações, exibe recortes da trajetória de Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Teosofia, autora de livros como “Ísis sem Véu”, “Ocultismo Prático” e “A Doutrina Secreta” e figura chave para os estudos de esoterismo do século 20. Nascida no sul da Rússia em 1831, Blavatsky viajou por diversos países, incluindo Turquia, Egito, Grécia, Índia, Tibete, México e Estados Unidos, para pesquisar e estudar temas religiosos e esotéricos.
Em Londres, ela conheceu seu mestre Rajput, Mahatma M, com quem passou por um treinamento no Tibete anos depois. As experiências, segundo seus próprios relatos, possibilitaram a ela ter total domínio de seus poderes psíquicos. Em sua vida, Blavatsky foi investigada por diversas instituições religiosas, acusada de impostora e de ser uma espiã russa.
Teatro de época
“O texto continua ambientado na época em que Blavatsky viveu, pois o teatro nos permite brincar com isso. Ele começa na Rússia e passa pelas viagens (da personagem) pela Índia, Inglaterra e Estados Unidos. Ela foi a pessoa mais importante na área do esoterismo na era moderna e ainda teve a postura de contestação, tentaram matá-la várias vezes. Plínio era seu seguidor”, explica Nougueira.
No elenco, estão Giseli Galindo, Diego Decks, Fabiano Leamas, Fábio Sato, Giovana Galindo, Letícia Pinheiro, Lú Castro e Milton Rodrigues. Segundo o diretor, Gisele interpreta Helena Blavatsky durante todo o espetáculo, porém os outros sete atores também fazem a personagem, assim como levam o dramaturgo Plínio Marcos à cena.
“Madame Blavatsky” tem cenografia, criação de som e luz de Fábio Nougueira, criação e confecção dos intrumentos de percussão de Clóves Ferreira, pernas-de-pau e pirofagia de Thiago Munhoz, Selipe Madureira, Gabriel Mungo e Fernando Ávila, coreografia de Emerson Eusébio, figurino e maquiagem de João Roberto de Souza.
O espetáculo de amanhã, “A Lágrima de Einstein”, tem texto e direção de Fábio Nougueira. Ele destaca que a peça surgiu de uma necessidade própria de “gritar, como cidadão, contra a fome, pelas questões do meio ambiente, da violência”. “Só sei gritar através da minha arte”, frisa. Lendo sobre Albert Einstein, o diretor descobriu como o cientista tinha posições fortes sobre política, religião e meio ambiente em sua época.
“Ele era um homem politizado ao extremo, com grandes preocupações sobre o desenvolvimento da humanidade. Descobri meu pensamento no pensamento dele. Por isso, parti para o realismo fantástico, uso um personagem que existiu de acordo com os pensamentos dele, em cena com outros personagens (criados para o espetáculo)”, diz Nougueira.
Em cena, estão apenas três atores praticamente sem cenário ou outros objetos cênicos. “Enquanto ‘Blavatsky’ é uma megaprodução, ‘Einstein’ tem só os atores. É a oportunidade do público ver dois estilos diferentes de teatro”, afirma o diretor.
• Serviço
Espetáculos “Madame Blavatsky”, hoje às 20h30, e “A Lágrima de Einstein”, amanhã às 20h30, no Teatro Municipal. Ingressos à venda na bilheteria, preço único R$ 10,00 ou R$ 15,00 para as duas sessões. Mais informações: (14) 3234-4949 e 3235-1072.