Tribuna do Leitor

De como ser negro no Brasil


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No último domingo à noite senti na pele a realidade da truculência da polícia de Bauru, realidade essa que já era clara para muitos, mas ainda desconhecida para mim. Éramos eu e mais quatro amigos angolanos no carro tentando achar o caminho da chácara que ficava nos limites entre Bauru e Agudos. Depois de nos perdermos, após tentativas frustradas de encontrar o caminho, notamos que havia policiais atrás do carro em que estávamos, sinalizando para que reduzíssemos. Ao pararmos, policiais abordaram o carro de maneira brutal, apontando-nos armas de alto calibre e gritando “todo mundo pra fora do carro com a mão na cabeça”. Era uma situação inédita para mim. A brutalidade foi tamanha que a única coisa que me veio à mente foram aqueles episódios da polícia de São Paulo, que mata pessoas que julgam culpadas e as desovam em algum lugar. Tremia, chorava. Um dos policiais voltou-se para mim e disse que se estava chorando deveria ter alguma culpa.

Depois de passar por revista, como os demais garotos, vasculharam minha bolsa, averiguaram se tinha passagem policial e ainda mexeram na foto de meu namorado e perguntaram “se esse maluco estava preso”. Ao se assegurarem de que não tínhamos nada, que éramos todos estudantes da Unesp e os garotos participantes de um convênio entre a universidade e Angola, desculparam-se alegando que tudo era apenas procedimento de rotina. E tudo isso só me fez pensar como humilhação pública de 5 negros em um carro à noite e a morte de um dentista negro “confundido” com um assaltante viraram pretexto e sinônimo de procedimento de rotina em grande parte da ação policial no Brasil.

Luana Nascimento - estudante de jornalismo na Unesp de Bauru

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