São Paulo - Uma pesquisa divulgada nesta ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que os medicamentos não controlados pelo governo registram aumentos muito acima da inflação. Os números vão de encontro a um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum) neste mês.
De acordo com a pesquisa da FGV, em três anos, analgésicos e antitérmicos subiram mais de 47,83%. No mesmo período, lembra o estudo, a inflação foi de 27,67%. Em São Paulo, as vitaminas subiram 6,03% nos últimos 12 meses (de acordo com a Fipe, a inflação no período foi de 2,92%).
Os remédios de uso contínuo, alvo da pesquisa do Idum, são controlados pelo governo e vão ficar mais caros a partir de 31 de março. A pesquisa realizada pelo instituto revelou que, apesar do controle, cerca de 400 medicamentos tiveram aumentos de até 49,44% no último ano. Segundo a pesquisa, o remédio monitorado que teve o maior aumento foi o Cloridrato de Sertralina do laboratório Medley, um antidepressivo, também utilizado no tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que subiu 49,44%.
O levantamento diz que o remédio passou de R$ 55,00, em abril do ano passado, para R$ 82,19 em março deste ano. Na ocasião, a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) contestaram os dados da pesquisa do Idum alegando que não são fiéis à realidade.
A Câmara afirmou que, dos 526 produtos pesquisados pelo Idum que teriam tido aumento, 291 foram computados pelo instituto com o preço, à época, com desconto promocional, daí a distorção na comparação - o Idum teria comparado preço promocional com o valor cheio já reajustado. A CMED reconheceu, no entanto, indício de irregularidade em seis produtos, que já motivou a abertura de processos administrativos. Já a Abrafarma disse que q pesquisa foi feita por um “pretenso” instituto de defesa do consumidor, com interesses políticos.