A manicure Isabel Cristina Fainer consegue economizar, todo mês, cerca de R$ 500,00, mesmo tendo de vestir dois filhos e fazendo aulas com um personal trainer três vezes por semana. O segredo para esse êxito financeiro é a negociação, mas não de prazos ou descontos. Em vez de pagar essas despesas com dinheiro e dentro de um período estipulado, ela troca o seu trabalho de manicure por outros serviços ou produtos. Ela faz parte de um grande número de adeptos do escambo (troca sem uso de moeda) dos tempos modernos.
“É um bom negócio, porque a gente evita de ficar endividada”, comenta. Fainer faz as unhas de uma vendedora de roupas em troca de peças de vestuário para ela e seus filhos. “Em média, a compra fica em torno de R$ 300,00. Toda semana a vendedora abate pelo menos R$ 23,00, que é o preço que cobro pela pintura das unhas das mãos e dos pés”, acrescenta.
“Para mim é prático, porque como trabalho no ramo de vendas, preciso estar sempre bem apresentável, especialmente com as unhas feitas”, completa a vendedora de roupas Alessandra Guarnieri Ferreira, que mantém a parceria com a manicure.
Os escambos de Fainer não param por aí. Semanalmente, ela faz acompanhamento personalizado com um profissional de educação física. Se fosse pagar com dinheiro, teria que desembolsar quase R$ 400,00 por mês.
A manicure também já adquiriu alguns móveis e peças de decoração para sua casa através da prática de escambo. Até uma cama ela conseguiu oferecendo em troca o serviço de embelezamento de unhas. “Faz uns quatro anos que aderi a essas parcerias. Foi assim que comprei quadros para a casa, uma estante de sala e uma cama”, relata.
O escambo de prestação de serviços tem sido uma boa alternativa para muitas pessoas que não conseguiriam realizar seus projetos caso tivessem que executá-los do modo tradicional, ou seja, pagando com dinheiro vivo.
É o caso da estudante de publicidade e propaganda de uma universidade de Bauru Débora Ballaminut. Ela trabalha na instituição como estagiária na assessoria de comunicação, fazendo atualização do site da universidade. Em troca, ganha uma bolsa de R$ 300,00, valor suficiente para bancar mais de 70% da mensalidade.
“O restante é complementado por meus pais. Além de ajudar no custeio da faculdade, estou ganhando a prática da profissão. Ao meu ver, é uma troca benéfica para ambas as partes”, analisa.
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Bom desempenho
A freqüência nas aulas e o bom desempenho no curso são requisitos fundamentais para conseguir e, depois, manter as bolsas de estudo concedidas por uma instituição de ensino superior consultada pela reportagem.
O programa atende, preferencialmente, alunos de baixa renda. Em troca, eles têm de prestar serviços à universidade como estagiários na área profissional condizente com o curso que fazem.
Além da mensalidade gratuita, o universitário é contemplado com transporte e seguro de vida. “O objetivo dessa proposta é ajudar as pessoas que teriam dificuldades para custear a faculdade. Em troca, cobramos o máximo empenho e produtividade, que são quesitos benéficos para eles mesmos”, ressalta Maria Lúcia Ranieri Previdello, diretora e sócia-proprietária da instituição.
O estudante de tecnologia em redes de computador Eliton Aparecido dos Santos é um dos alunos que estão inseridos no programa da faculdade. Ele presta serviço como estagiário no laboratório de computação, orientando os demais estudantes e fazendo a manutenção das máquinas.
“É uma oportunidade que propicia um contato desde cedo com a prática, além do auxílio financeiro, que ajuda muito”, acrescenta.
De acordo com Previdello, oito universitários são contemplados pelo estágio remunerado na faculdade. Eles prestam serviços na biblioteca e também no setor de fotocópias. Se tivessem de custear os estudos, pagariam mensalidade de aproximadamente R$ 400,00, segundo a diretora.