São Paulo - A Gol Linhas Aéreas anunciou a compra do controle da nova Varig por US$ 275 milhões. Segundo a companhia, o pagamento será feito com 10% do caixa da Gol (US$ 98 milhões), além da entrega de cerca de US$ 6,1 milhões de ações preferenciais emitidas, que representam aproximadamente 3% do total de papéis da companhia. O valor chegará a US$ 320 milhões com a junção de R$ 100 milhões de debêntures emitidos pela VRG (nova Varig).
A chilena LAN, que já havia aportado US$ 17,1 milhões na nova Varig, também estava na disputa pela companhia. O presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior, está reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília. Também participam do encontro o presidente da Infraero (estatal que administra os aeroportos do País), brigadeiro José Carlos Pereira, e o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia.
Em um primeiro momento, o principal interesse da Gol Linhas Aéreas na Varig passa, principalmente, pelos “slots” (horários e espaços), e não pela marca ou pela empresa. Assim, a Gol não deve usar a marca no mercado doméstico, mas aproveitá-la nas linhas internacionais, em que a Varig é bastante conhecida.
Desde que arrematou a Varig em leilão, em julho do ano passado, a VarigLog sinaliza o objetivo de vender a companhia, tanto que demitiu funcionários e passou a operar com cerca de 15 aeronaves. Só em dezembro a Nova Varig conseguiu autorização de vôo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A Gol comprou a Nova Varig por meio da empresa chamada GTI, subsidiária da empresa, e assim evitar riscos de contaminação dos passivos bilionários da antiga Varig. Se fosse a compradora da Varig, a empresa chilena LAN esbarraria na limitação de 20% de participação de estrangeiras em companhias de aviação.
Liderança
Ao comprar a Varig, a Gol ainda não tem liderança do mercado, que é da TAM, mas chega mais perto da concorrente e, no futuro, pode brigar pela liderança. Em fevereiro, a Gol apareceu em segundo lugar na participação de mercado nos vôos internacionais em fevereiro, com 18,94%, atrás apenas da TAM, que tem 61,01%. A Nova Varig estava em terceiro, com 11,82% dos passageiros transportados por companhias aéreas. A BRA tinha 7,89% de participação.
No mercado doméstico, TAM e Gol abocanham juntas 87,59% do segmento. A TAM fica com 47,33% e a Gol, 40,26%. A Nova Varig detém 4,57% das linhas domésticas, à frente da BRA (2,98%) e da OceanAir (2,04%).
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Força para competir com TAM
Rio - Com a aquisição da Varig, a Gol ganha musculatura para competir com a TAM pelo mercado de aviação brasileira. No mercado doméstico, a Gol aparece na segunda posição com 40,26% de market share. A TAM tem a liderança com 47,33% de participãção.
A empresa da família de Nenê Constantino, que também é dona de um dos maiores grupos de transporte urbano do País, iniciou as operações como “low cost, low fare” em 2001.
Hoje, a Gol tem 66 aviões próprios e voa para 56 destinos - 48 dentro do País e oito internacionais: Buenos Aires, Rosário e Córdoba - todos na Argentina -, Montevidéu (Uruguai), Santiago (Chile), Lima (Peru), Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), Assunção (Paraguai). A companhia aérea encerrou 2006 com lucro líquido de R$ 684,4 milhões, 61,2% a mais que em 2005.