São Paulo - Terminou na manhã de ontem a paralisação de 24 horas realizada pela Polícia Federal (PF), em todo o país. O movimento foi um protesto ao não-cumprimento de um acordo para reajuste salarial firmado em 2006. Durante a greve, representantes da categoria chegaram a se reunir com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sem sucesso. Ontem, os sindicatos ligados à PF deverão realizar assembléias para avaliar o movimento. Como não houve acordo, há possibilidade de haver greve geral.
O acordo descumprido foi fechado pelo ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Ele previa um reajuste de 60%, dividido em duas parcelas. O problema é que a segunda, que deveria ter sido quitada em dezembro de 2006, não foi paga. O ministro do Planejamento afirmou que o governo federal vai analisar a reivindicação de reajustes salariais e considerou o movimento “um pouco precipitado” e negou que a promessa de aumento salarial tenha sido efetivada pelo governo. “Vocês não vão achar que nós saímos por aí prometendo reajustes para todo mundo. Nós queremos fazer isso avaliando aquilo que é reivindicado, se é justo. Se tem procedência a reivindicação, pode ser atendida, se nós tivermos também recursos para isso.”
Bernardo evitou comentar os percentuais de reajuste defendidos pela categoria. “É precipitado falar em percentual, nós temos que ouvi-los, eles têm que apresentar as reivindicações. Nós vamos ouvir e vamos fazer. O que nós estamos querendo na verdade nessa coisa de servidores públicos é ter um planejamento de mais longo prazo”, afirmou.
Efeitos da paralisação
Segundo levantamento da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), somente os policiais federais dos Estados de Alagoas e Santa Catarina não aderiram à paralisação. Com o movimento, os serviços de investigação e de emissão de laudos ficaram suspensos. Os setores de emissão de passaportes também ficaram parados, exceto em casos urgentes.
Em São Paulo, os policiais federais prometiam realizar uma operação-padrão - reduzindo o efetivo à metade- nos aeroportos de Congonhas, na zona sul da Capital, e de Guarulhos, na região metropolitana. Esperava-se que o movimento atrasasse embarques e desembarques e provocasse filas nos setores de imigração e liberação de produtos restritos. Porém, ainda pela manhã, o presidente da Associação dos Servidores da Polícia Federal de São Paulo, Francisco Carlos Sabino, anunciou que a operação-padrão havia sido cancelada por “respeito à população que tem sofrido com a crise aérea”.