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Em abril, começa ‘campanha eleitoral’ nas escolas estaduais

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

No ano passado, as eleições para presidente, governador, deputados federais e estaduais deixaram milhões de brasileiros com a incumbência de definir os comandantes do País. A difícil tarefa de convencer o eleitorado, propor soluções para problemas do Brasil e conquistar votos não é exclusiva dos políticos. Agora em abril, os alunos de todas as 64 escolas estaduais de Bauru começam campanha para eleição dos grêmios estudantis.

Assim como os políticos de ‘verdade’, os mirins têm que correr atrás do eleitorado. Para isso, criam projetos que interessam aos alunos e montam chapas com aliados. Há votação com cédulas de papel e, após o resultado, os eleitos têm um ano para colocar em prática o que prometeram aos alunos.

Desde novembro de 1985, quando o então presidente da República José Sarney sancionou a lei 7.398, o direito dos estudantes formarem grêmios estudantis ficou garantido. “Antes, na época da ditadura militar, não existiam os grêmios porque não eram permitidos”, explica o supervisorCláudio Moreira da Diretoria de Ensino.

A professora de história da escola estadual Mercedes Paes Bueno, Valmira Caldeira, lembra-se daquela época. “No começo da década de 80, quando eu era estudante, não havia grêmios. Eu participava dos chamados centros cívicos. Mas sofríamos muito com a censura”, lembra-se.

Atualmente, ela é uma das professoras que orientam os alunos que querem participar da vida política na escola. Na instituição onde leciona, inclusive, uma aluna chama a atenção pela persistência. Aos 14 anos, Manuela Luize da Silva Guimarães é presidente do grêmio estudantil pelo segundo ano consecutivo.

Ela e os integrantes de sua chapa orgulham-se de ter conseguido boas mudanças na escola. “Conseguimos uma coisa difícil que é mudar o uniforme dos alunos. Para as meninas, fizemos uma blusinha baby look. Para os garotos, uma camiseta regata”, contou.

Mas do que ela mais se orgulha é das campanhas sociais. No ano passado, os alunos arrecadaram mais de 100 litros de leite. Tudo foi doado para a Creche Pastores de Belém. “Eles estavam fazendo uma reforma e precisavam de doação de alimentos”, contou.

Certa vez, os alunos também organizaram uma gincana entre mães e filhos. “Foi muito divertido. Algumas mães nunca haviam jogado futebol e se divertiram com seus filhos”, lembra-se. Em outra ocasião, os alunos organizaram uma rádio com programação durante o intervalo. Mas ela não ficou no ar por muito tempo. “Os vizinhos reclamaram do barulho e tivemos que cancelar a programação”, conta.

Vida política

Mas na vida política nem tudo são flores. “Muitos criticam o trabalho dos grêmios. Eles reclamam que não fazemos nada. Quando ouço isso, falo para eles participarem também, antes de falar por aí”, disse.

Mesmo com as dificuldades, a estudante não pretende desistir da vida política. “Vou fazer faculdade de educação física, mas pretendo entrar para o Parlamento Jovem do Estado”, conta.

Este ano, as chapas estudantis nas escolas já começaram a se formar. Desta vez, Manuela não pode concorrer à presidência pois vai mudar de escola no que vem, quando ingressar no ensino médio. “Me inscrevi como diretora sócio-cultural”, disse.

Segundo Moreira, o papel dos grêmios estudantis é de promover atividades educativas, culturais, cívicas, desportivas e sociais. “Durante o ano eles fazem festivais de música, campanhas em prol da comunidade e participam de atos cívicos”, explica.

Para participar, o aluno precisa se filiar a uma chapa estudantil e concorrer às eleições.

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