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Pode crescer mais


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O crescimento do Produto brasileiro acima dos 4% este ano é mais do que uma simples aposta. Há sinais de recuperação da atividade produtiva e, o que é importante, com maior equilíbrio na sua distribuição geográfica. O ânimo que ressurge na agroindústria, por exemplo, não está confinado ao setor sucroalcooleiro , que vai muito bem e se expande até os limites da novíssima fronteira agrícola.

Nas regiões de forte tradição de produção agropecuária no sul-sudeste onde, há uns poucos meses, se pensava que o ano estava perdido, o desânimo está sendo superado, com a renovação das encomendas à indústria de implementos para o plantio e colheita das lavouras e para armazenamento e transporte da produção.

Construção civil é outra atividade que encontrou seu rumo neste governo. O setor continua em forte crescimento e está atraindo empresas de grande porte, o que vai exigir mais agilidade das que já estão nele, produzindo um aumento de competição que tornará acessível a casa própria a um número cada vez maior de pessoas. O nível dos juros dos financiamentos caiu um pouco, fator poderoso de expansão da demanda na indústria da construção civil.

O Programa de Aceleração do Crescimento-PAC, maior aposta do segundo mandato de Lula, está começando a caminhar com alguns projetos antigos, mas agora com dotação orçamentária fixa, com a marcação que tem para sua continuidade e controles mais fortes da Casa Civil, o que vai certamente melhorar a qualidade dos investimentos na infraestrutura. Os projetos na área de energia, que são fundamentais para o sucesso do PAC, estão sob atenção especial. Os leilões para as duas grandes hidrelétricas no rio Madeira, em Rondônia devem sair logo. O projeto de Belo Monte, no rio Xingu, também vai ser retomado, depois de anos de enrolação.

De outra parte há uma revolução nos processos de produção de energia a partir da biomassa. Saímos na frente na produção do etanol e temos as condições de aumento da oferta de forma altamente competitiva. O etanol não vai substituir todo o petróleo, como algumas pessoas dizem, mas substituirá uma fração nada desprezível da gasolina, liberando o uso da matéria-prima para utilizações mais nobres, na petroquímica por exemplo.

E o biodiesel vai substituir um pedaço do consumo de diesel, o que significa que tudo isso somado vai produzir uma economia no uso do petróleo, o que é muito importante: como está havendo um aumento de oferta, devido ao avanço na exploração de petróleo em todo o mundo, deve-se esperar uma estabilização do preço nos próximos dois anos, se não houver uma ligeira baixa.

O etanol e o biodiesel são programas muito interessantes não só do ponto de vista econômico: de um lado a produção do etanol é concentradora de renda e em contraponto o biodiesel tem um sistema de produção que é distribuidor de renda, inclusive pela participação importante da agricultura familiar.

Existem, portanto, algumas condições para um crescimento mais robusto este ano. Os resultados logo vão aparecer (não tem nada a ver com a mudança da metodologia no cálculo do Produto pelo IBGE, que já deveria ter sido adotada há mais tempo), de sorte que não será surpresa um índice superior a 4% de expansão do PIB em 2007.

O autor, Antonio Delfim Netto, é professor Emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento - e-mail: contatodelfimnetto@uol.com.br

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