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Polícia Federal desmonta ‘sistema bancário paralelo’ no Sul do País

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A Polícia Federal prendeu ontem pelo menos 36 pessoas - 16 em Santa Catarina e 20 no Rio Grande do Sul - acusadas de integrar uma organização criminosa que controlava uma espécie de “sistema bancário paralelo” no Sul do Brasil. Segundo a PF, a organização estava dividida em células, uma em cada Estado. O grupo catarinense movimentava cerca de US$ 10 milhões por mês, e o do Rio Grande do Sul, cerca de R$ 1 milhão por dia.

A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de 560 contas bancárias ligadas ao esquema. De acordo com as investigações, a organização oferecia - sem o conhecimento do Banco Central - serviços bancários a empresários da região, como manutenção de conta corrente e investimentos e compra e venda de moeda estrangeira, além de envio de dinheiro para o Exterior por meio de transações financeiras ilegais e não declaradas às autoridades.

Na manhã de ontem, a operação “Ouro Verde” - que ganhou esse nome em alusão à cor das cédulas de dólar - prendeu 16 pessoas em cidades catarinenses. Todas foram encaminhadas à sede da PF em Joinville (186 quilômetros de Florianópolis). Das 16 prisões, três são preventivas (de 30 dias) - entre elas, a do acusado de liderar a quadrilha, Rogério Luiz Gonçalves, dono do grupo Roger, com cerca de dez empresas e sede em Jaraguá do Sul (187 quilômetros de Florianópolis).

Rogério e seu irmão Clóvis Gonçalves estão presos acusados de formação de quadrilha, descaminho, lavagem de dinheiro, funcionamento de instituição financeira sem autorização legal, entre outros. Procurado pela reportagem, o advogado dos irmãos Gonçalves disse que “não tem interesse em falar com a imprensa”.

Segundo a delegada da PF Laura Tacca, que participou da coordenação da operação, uma das empresas que teria usado os serviços do “banco paralelo” era a AMC Têxtil Ltda., dona da marca de roupas Colcci.

Auditores da Receita foram até uma das empresas do grupo, em Jaraguá do Sul, com mandado de busca e apreensão para “recolher elementos de sonegação e evasão fiscal”. A reportagem entrou em contato com a sede da empresa, em Brusque, mas uma funcionária do setor de marketing disse que não sabia nada sobre o caso e que os diretores da empresa não estavam no local.

As investigações começaram em 2005 com a apreensão de US$ 20 mil que estavam sendo transportados para uma agência de turismo que atuava clandestinamente como casa de câmbio em Joinville.

O esquema gaúcho de remessa ilegal de dinheiro ao Exterior, com “braços financeiros” nos EUA e no Uruguai, baseado em importação de mercadorias, começou em 1996 e movimentou cerca de R$ 2,5 bilhões. O superintendente da PF no Estado, José Francisco Mallmann, disse que as operações podem ter começado em 1986. Com isso, a movimentação financeira chegaria a um valor maior - R$ 5 bilhões.

Uma das financiadoras mais conhecidas de Porto Alegre, a Portocred, estaria supostamente envolvida nas remessas ilegais e reintrodução dos recursos no sistema financeiro brasileiro. Os três donos foram presos ontem. A reportagem não conseguiu falar com seus advogados.

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