Bairros

Lucros demoram a aparecer

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

No campo, a vida costuma seguir uma ritmo diferente do da cidade grande. Lá, as coisas dependem de outros fatores para avançar ou regredir, e o relógio não tem muito poder para ditar o tempo. Agricultores que apostaram no turismo rural como fonte de renda têm de ser pacientes pois, em um mundo regido por essa uma temporalidade como essa, os lucros demoram a surgir.

Alguns proprietários tiveram de esperar anos para começar a ganhar dinheiro. O restaurante rural mantido por João Silvestre Pinto dos Santos demorou quase três anos para começar a dar lucro. No começo, o negócio não passava de um pequeno bar, que colocava à disposição do público um campo de futebol. “Certo dia, um casal que estava lá perguntou se a gente não tinha condições de preparar um almoço para eles. Fizemos uma vaca atolada e eles gostaram bastante”, recorda. Em pouco tempo, a comida servida no local ficou famosa em Bauru e nas cidades vizinhas.

Santos foi obrigado a ampliar o negócio para poder atender à demanda. “Aos poucos a gente vai crescendo cada vez mais. Ainda não está do jeito que eu gostaria, mas quase. O importante é ter paciência sempre. Na cidade muitos negócios fecham com menos um ano de funcionamento. Eu estou há três em atividade, ou seja, já superei a fase mais difícil”, acredita.

Entre os proprietários bauruenses, poucos possuem tanta serenidade quanto o aposentado Osni Crepaldi. Ele adquiriu seu primeiro sítio em 1973 e desde então vem preparando o lugar para receber um empreendimento voltado ao turismo rural. Na época ele trabalhava numa indústria de bebidas. “Fui adaptando o sítio aos poucos. Comprei cavalos, pôneis, charretes...”, recorda.

Na época da aquisição, a propriedade não possuía um casebre de madeira sequer. “Na verdade, nem cerca existia ali. Com o passar dos anos, trabalhei bastante e mudei a cara do sítio, sempre pensando em montar algo voltado para o turismo”, diz.

Hoje o projeto está prestes a se concretizar. “Falta apenas um trabalho de perfumaria: pintura, limpeza e algumas adaptações nos mobiliário”, diz Crepaldi, que esperou mais de 30 anos para ver seu negócio funcionando. “A vida é assim mesmo. Os verdes nunca nascem de um dia para ou outro”, lembra.

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