Numa cidade como Bauru, cujo passado é profundamente marcado pela ferrovia, as velhas estações de trem adquirem um grande potencial histórico e cultural. Apesar de população e poder público já terem se dado conta desse fato, poucas ações concretas foram desenvolvidas no sentido de transformar as antigas paradas de trens em atrações turísticas.
Hoje, os principais projetos existentes estão concentrados na área central da cidade. O caso mais alardeado dos últimos tempos é da Estação Central, na praça Machado de Melo, que provavelmente será convertida em shopping center num futuro talvez não muito distante. Na zona rural, em contrapartida, não há uma iniciativa sequer em andamento.
Não que falte boa vontade, pelo menos do lado da população. A recuperação do prédio da pequena estação é reivindicação antiga dos moradores do Distrito de Tibiriçá. Na última segunda-feira, Édison Cavalieri, responsável pela administração do bairro de aproximadamente 3 mil habitantes (incluindo a área rural), chegou a participar de uma audiência com o prefeito Tuga Angerami (sem partido) para tratar do assunto.
Depois de horas de conversa, ele deixou o Palácio das Cerejeiras com a cabeça recheada de dúvidas. “A estação apresenta muitos problemas estruturais. Precisamos resolvê-los antes de iniciar qualquer coisa naquele local”, disse Cavalieri.
Quando foi cedida à prefeitura pela Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), no início do ano passado, a antiga estação - inaugurada em 1906 pelo então presidente do Estado de São Paulo, Jorge Tibiriçá - apresentava péssimo estado de conservação.
“Parte do telhado tinha sido arrancado. Além disso, o mato havia tomado conta do interior dos galpões”, recorda o presidente do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepac), Henrique Perazzi de Aquino, que vistoriou o imóvel na época em que o convênio com a REFSA foi firmado.
Ainda assim, tanto ele quanto o administrador regional acreditam que a revitalização do local é possível. “Sou otimista. Vamos dar um jeito de colocá-la para funcionar. O que não podemos é deixar que a estação caia”, diz Cavalieri. “Antes de começar algum projeto, porém, precisamos discutir bastante com os moradores. Do contrário, corremos o risco de montar um ‘elefante branco’ que jamais seria usado pela população”, pondera Aquino.
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Idéias
Embora a boa vontade seja grande, os projetos de revitalização da antiga Estação de Tibiriçá ainda vão demorar para se concretizar. “Os custos para recuperar aquela área seriam muito altos. A degradação lá é muito grande”, explica Édison Cavalieri, que ocupa o cargo de administrador regional do distrito.
Como, porém, sonhar não custa nada, ele não perde a esperança de ver espaço restaurado e em pleno funcionamento. “Projetos nós temos aos montes. Uma das idéias é montar um cinema popular na estação. Além disso, seria interessante criar um espaço onde os artesãos da região pudessem expor seus trabalhos. Seria um local onde até mesmo os produtores rurais teriam condições de comercializar produtos da terra, como mel, queijos, hortaliças e defumados”, diz Cavalieri.
Ele reconhece, porém, que faltam recursos na prefeitura para projetos dessa dimensão. “Temos de contar com apoio da iniciativa privada para que as idéias possam ir adiante”, pensa. A Estação de Tibiriçá foi tombada em maio de 2005 pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepac). Desde então, nunca recebeu qualquer tipo de cuidado por parte do poder público. “Agora ela está tombando, só que literalmente”, brinca Cavalieri.