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Melhoria contínua


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O mundo dá voltas

Em minha adolescência, ouvi muito o dito popular “o mundo dá voltas, hoje o camarada está por cima da cocada, amanhã ele está por baixo”. Aos 15 anos, exatamente em 1971, estava numa festinha onde rolavam músicas do Pink Floyd, Led Zeppelin e Rolling Stones. Vestido de calça jeans boca-de-sino e cabelos compridos, timidamente procurava me entrosar com outros adolescentes, quando de repente uma garota extremamente desinibida e extrovertida para os meus padrões fez uma piada a meu respeito e zombou, chamando a atenção de todos, que imediatamente me olharam com ironia e caíram na gargalhada.

Eu, com a face avermelhada, baixei a cabeça com vergonha e fui embora da festa. Passaram-se aproximadamente 20 anos, estava dirigindo na rodovia Marechal Rondon, entre as cidades de Lençóis Paulista e Bauru, em uma noite de garoa, quando ocorreu um acidente de pequenas proporções. Ao me aproximar, um indivíduo aparentemente nervoso solicitou-me para levar uma pessoa acidentada até a Santa Casa de Agudos.

Sensibilizado e assustado, me prontifiquei a levá-la. Carro sem ar-condicionado, vidro embaçado, a acidentada gritava alto de dor. Ao subir a rampa daquele hospital, quando aumentou a luminosidade, para a minha surpresa percebi que a vítima era a garota que me criou constrangimento na festinha de 1971.

Reconheci-a no ato e percebi que ela também me reconheceu. Dois dias depois, já recuperada, me localizou via telefone e me agradeceu muito. Graças a Deus eu já a havia perdoado, mas ficou uma lição importantíssima: o mundo realmente dá voltas. Não acredito em coincidência nesse caso. Agindo erroneamente você cria uma verdadeira prisão para si, pois a reação virá.

Depois disso, passei a observar mais em detalhes os eventos marcantes da minha vida e hoje tenho muitas histórias interessantes que comprovam essa lei da natureza, que nos convida a se desenvolver na inteligência do amor ao próximo.

Essa lei é válida também para as empresas, considerando que são organismos vivos por serem constituídas de pessoas. Tudo é computado nos mínimos detalhes, tanto o tratamento reservado aos funcionários quanto aos fornecedores e concorrentes.

O jogo inteligente manda praticar o ganha-ganha. Em outras palavras, se uma das partes for prejudicada, com o tempo vêm as conseqüências. Nesse caso, a prática da ética é desenvolvida através da dor. Não é à toa que a montadora japonesa Toyota tem como pilar principal de seus valores levar muito a sério o respeito ao ser humano.

Se você não acredita nas voltas que o mundo dá, teste esse mecanismo com algo pequeno. Confúcio, bem antes de Cristo, já havia dito: “não faça ao outro aquilo que você não quer para si”. Por isso o bom-senso manda pensar no bem, falar no bem e principalmente agir no bem, se você quer o bem para si.

Davison de Lucas, diretor da M.Davison & Associados e consultor organizacional.

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