Tribuna do Leitor

“Crime e castigo”


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Concepções que se fazem da realidade criminal contra a pessoa e o patrimônio dela, são fúteis e supra-realistas. O método para combater o dolo é ineficaz desde a idade medieval. Leis, contornos legais, penalizações, aprisionamentos, amontoamentos carcerários, fazem que até então a justiça se adequa no método punitivo retrógrado e coercitivo.

O livro que dá nome a esta carta é do escritor russo Fiodor Dostoievski. Seu personagem central mata sua dona pensionista onde morava, e carrega pelo seu crime um remorso irreversível que o leva ao suicídio. Já não se fazem assassinos como antigamente. Hoje, o transgressor é integralmente insensível. Cuida da vida ou da morte de sua vítima, como se afiasse um cutelo para seu churrasco.

Em contrapartida, a justiça amolda o transgressor com a pusilanimidade que sempre lhe é própria. O aplicador da lei é apaniguado com o malfeitor. É a raposa cuidando do galinheiro. Nos altos escalões do nosso parlamento, o crime do colarinho branco vincula-se à elevação dos seus salários outorgados por eles, à razão de nominais 16 mil reais. Tais atos indecentes, diante de nossa miséria social, não mais aviltam, muito menos sensibilizam quem elegeu os canalhas de plantão de hoje, donos da nefasta politicalha eternamente progressiva. A justiça, insossa, atrela-se a uma lei de execuções marasmática apegada a uma tromba de processos infindáveis.

Matam-se crianças, pais e uma enxurrada de clamores por direitos são manifestados. E daí? Como diz Millor Fernandes, “os cães cagam e a caravana pisa”.

Os magistrados exigem salários bilionários diante da merreca paga a nossa plebe ignara, enquanto togados exibem afrontosamente suas prepotências e imunidades oficiais. Enquanto nós pagaremos a eles soldos com as imposituras fiscais que nos são devidas.

Até quando a lei deve curvar-se aos poderosos e mostrar a bunda aos fracos? Até quando?

Odair Castilho - RG 5.604.771

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