Política

Alckmin: ‘O futuro a Deus pertence’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 5 min

“O futuro a Deus pertence”. Com essa frase, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) fechou a entrevista que concedeu ao Jornal da Cidade ontem. Alckmin veio a Bauru para visitar o deputado Pedro Tobias (PSDB), que está se recuperando de um leve acidente vascular cerebral. Antes, no entanto, ele atendeu a reportagem do JC no aeroporto Bauru-Arealva.

Entre um cafezinho e outro, o ex-governador teceu diversos elogios ao deputado Tobias, quem comparou a Mário Covas. Alckmin também não poupou críticas ao presidente Lula e cobrou postura mais firme do PSDB com relação ao governo federal.

O ex-governador evitou falar sobre a disputa para a liderança da bancada tucana na Assembléia Legislativa, disputada por Pedro Tobias, Mauro Bragatto e João Caramez. Nos bastidores dizem que há restrições a Tobias assumir o cargo por ser muito ligado a Alckmin.

O tucano comentou ainda sobre o acidente nas obras da linha 4 do Metrô, que matou sete pessoas em São Paulo, após abrir uma cratera no bairro de Pinheiros. Segundo ele, o episódio não o atinge, já que a obra foi apenas iniciada em sua gestão.

Outro assunto abordado pelo ex-governador foi seu futuro político. O tucano negou que seja candidato a prefeito da Capital em 2008 e afirmou que pensa apenas em ajudar a organizar o PSDB no País, visando as eleições de 2008, e aproveitar a “folga” na política para se dedicar à medicina. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - O senhor veio especificamente para visitar o deputado Pedro Tobias. Como é voltar a Bauru depois das eleições e descer pela primeira vez no aeroporto que foi concluído em seu governo?

Geraldo Alckmin - Primeiro em relação ao Pedro Tobias, eu tenho um grande carinho, grande estima por ele. O Pedro Tobias me lembra muito o Mário Covas, é um homem de caráter, um homem reto. Ele faz da política serviço, tem espírito público. Venho trazer um abraço de solidariedade, de afeto, de carinho. Trouxe comigo o doutor Jou Eel Jia, grande médico da medicina chinesa, da acupuntura, que tenho certeza, vai ajudar na reabilitação. Aliás o Pedro Tobias está em um centro médico que é dos melhores do País, que é Bauru. Um complexo hospitalar e universitário. E fico feliz em estar aqui neste aeroporto, que é importante não só para Bauru, mas para o Estado e o País, ele é estratégico. Bauru tem umas vantagens comparativas extraordinárias: está no coração do Estado de São Paulo e é um local de grande integração de modais. Tem a Marechal Rondon, rodovias, ferrovia, hidrovia Tietê-Paraná, gasoduto e aerovia, aeroporto para carga, aeroporto internacional, e essa é a alavanca do desenvolvimento.

JC - Como é ficar longe de cargos eletivos, depois de anos consecutivos como deputado, vice-governador e governador?

Alckmin - Em primeiro lugar, o povo sempre foi muito generoso. Desde vereador até governador, eu nunca tive um cargo que não fosse pelo voto popular, sempre através das eleições. Agora estou passando um período na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em um curso de administração pública, esta semana teve essa parada, mas amanhã (hoje) já estou voltando e fico mais dois meses e volto definitivamente. O manifesto do PSDB diz o seguinte: “longe das benesses do poder e perto do pulsar das ruas, nasce o Partido da Social Democracia Brasileira”. Então, eu nunca vi política como poder, eu vi como serviço. Para mim, política é um instrumento para trabalhar pelo povo.

JC - Qual o futuro do PSDB? A impressão é que o partido ficou sem rumo depois das eleições presidenciais.

Alckmin - Eu pretendo, depois que voltar dos EUA, ajudar o PSDB, e ajudar no País todo. Pretendo percorrer o País, agradecer os votos recebidos e ajudar na organização partidária. Se nós queremos democracia, isso pressupõe partidos, e entendo a necessidade da reforma política, fidelidade partidária, voto distrital e cláusula de desempenho, porque não há razão de ter tantos partidos no Brasil. Então, acredito que a reforma política é fundamental.

JC - Como será a postura do PSDB e dos parlamentares do partido com relação a essas reformas e ao governo Lula?

Alckmin - O PSDB deve ser oposição. É tão democrático e patriótico você ser governo, como ser oposição. Quem ganha governa, quem perde, fiscaliza. Tem que fiscalizar, criticar, apontar os erros, mostrar alternativas. Veja aí o apagão aéreo. É a face mais visível da falta de governança e boa gestão. Agora, medidas legislativas que forem de interesse do País, é evidente que nós votamos favoráveis. Projetos, reformas que forem do interesse do País, o partido votará favorável. Aliás, é o que nós estamos propondo, mas precisa propor, o governo precisa apresentar as propostas para o Congresso Nacional.

JC - O ex-presidente Fernando Henrique praticamente o lançou como candidato a prefeito de São Paulo, em 2008. Existe a possibilidade de candidatura? O senhor se considera pré-candidato à Prefeitura da Capital?

Alckmin - Não, não sou pré-candidato a prefeito de São Paulo. Primeiro porque está longe - é só no ano que vem-, segundo porque eu não tenho essa pretensão de natureza pessoal. Vou trabalhar nesse período como médico, professor, ajudar o PSDB e trabalhar pelo País. Não há necessidade de ocupar cargo neste momento.

JC - Qual é o futuro político do Geraldo Alckmin?

Alckmin - Eu aprendi com meu pai: o futuro a Deus pertence. Ou se quiser o Zeca Pagodinho, “deixa a vida me levar”.

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