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Sociedade vive crise ética e moral

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Mesmo causando espanto e revolta em grande parte dos brasileiros, é cada vez maior o número de notícias de delitos, associados ou não à violência, cometidos tanto por representantes de camadas abastadas quanto das mais desfavorecidas da sociedade. Exemplos não faltam para ilustrar tais situações, que vão desde uma adolescente rica que planeja a morte dos pais (Suzane von Richthofen), até o furto de vaso num cemitério (Ronaldo Esper), furto de gravatas (Henry Sobel) e arrastamento de um criança até a morte, depois de um assalto (caso João Hélio).

Especialistas apontam diversos motivos para esta “banalização” dos valores éticos e morais. No entanto, o cerne estaria nas relações sociais e nas mudanças da concepção do papel do homem no mundo. Revoluções comportamentais, valorização do objeto em detrimento ao ser, exemplos de impunidade e desrespeito de regras em âmbito público e cultura ao individualismo seriam estimulantes que estão presentes no cotidiano, que “cultivariam” a disseminação desses delitos.

Para o psicólogo e professor Marcelo Mendes, que estuda a agressividade e os desvios de conduta, não podem ser descartados distúrbios biológicos na explicação de crimes banais. Ele ressalta que a atitude delituosa pode ser explicada na análise da sociedade e suas relações.

“O cerne está na infância, que é momento de semear muitas condutas, valores e atitudes positivas. A falta de modelos, as relações conflituosas em casa, convivência com exemplos de impunidade, como âmbito político, por exemplo, podem provocar uma alteração da relação que o sujeito estabelece com a vida. Após grandes frustrações, situações de extrema pressão, ou outros estopins, a pessoa passa não ter uma leitura boa de mundo, gerando condutas delitivas”, explica.

Podem existir também desencadeantes biológicos para tais atitudes contrárias ao consciente coletivo. “Existem pessoas com propensão natural à agressividade ou distúrbios de conduta. O sujeito tem uma obsessão por ter alguma coisa ou gerar dano ao outro e não consegue controlar. Na infância já podemos perceber essa tendência à impulsividade, que aliada à insensibilidade, incorre em ações danosas”, opina.

O estudioso aponta que há uma gradativa valorização de bens materiais em detrimento da integridade do ser humano, com o indivíduo convivendo com tal situação desde a infância. “Necessidade não está, muitas vezes, ligada a dinheiro. Eu posso ter tudo, mas tenho ambição em conseguir aquilo de uma forma que eu não poderia. Isso ocorre devido à alteração de consciência. Uma forma de compensação de uma necessidade individual”, explica.

Para minimizar crimes e trazer de volta a consciência de harmonia coletiva, o psicólogo destaca o entendimento sistematizado da sociedade em que vivemos, das relações humanas e do padrão de igualdade ou desigualdade social seria o primeiro passo. Mendes aposta também no fortalecimento da educação, em todas as esferas sociais, para combater a banalização dos valores.

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