Regional

Prefeitura pode ir à Justiça por Jahu

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - O trabalho de restauro do cobiçado hidroavião Jahu está encerrado. Agora, vai se acirrar a briga na Justiça pela aeronave que ajudou o aviador jauense João Ribeiro de Barros a cruzar o Oceano Atlântico na década de 20, na travessia Gênova (Itália) a São Paulo (Brasil).

A Prefeitura de Jaú (47 quilômetros de Bauru) está disposta a promover uma briga judicial para garantir que o Jahu venha definitivamente para um museu em gestação na cidade. A dona da aeronave é a Fundação Santos Dumont. No entanto, a TAM pretende levar o Jahu para o município de São Carlos, onde, em seu Centro Tecnológico, mantém o Museu Asas de Um Sonho, com um respeitável acervo de aeronaves.

Por conta desse acervo, a secretária de Turismo e Cultura de Jaú, Lucy Rossi, argumenta que o Jahu no museu da TAM seria apenas mais um. A idéia da administração municipal é transformar a aeronave em celebridade em um museu dedicado a João Ribeiro de Barros.

“Tudo está meio amarrado. Vamos ganhar judicialmente porque o histórico é favorável para Jaú. Já consultei a Procuradoria em São Paulo”, revela Rossi.

Para garantir a posse do avião, a prefeitura publicou o decreto lei 5.530, com data de 5 de março, transformando o Jahu em utilidade pública. O artigo 2º define que o município pode recebê-lo em doação e ainda ressalta que a administração pode “promover o competente procedimento judicial para desapropiá-lo”.

Quatro dias depois do decreto lei, o Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Jahu (CONPPAC/Jahu), presidido por Rossi, definiu pelo tombamento histórico da aeronave para garantir sua integridade.

Justiça

A administração municipal está disposta a cutucar um vespeiro em que se confrontam judicialmente familiares do aviador e a Fundação Santos Dumont, proprietária da aeronave.

Como noticiou o JC em matéria de fevereiro deste ano, a família do aviador quer reaver o Jahu que foi doado por Barros, ainda em vida, para a Fundação Santos Dumont.

A entidade quer por sua vez ficar de bem com a TAM. Os familiares entraram com um madado de segurança para garantir que o hidroavião, restaurado, vá para o museu oferecido pela Prefeitura de Jaú.

Um novo Jahu

O Jahu, marca Savoia Marchetti S-55, está completamente restaurado. O modelo da década de 20 recuperou seu viço com o restauro bancado pela empresa Helipark, que pegou o avião acabado após quatro anos de abandono, período em que sua madeira foi corroída por cupins.

Ao vê-lo agora, certamente que os familiares, técnicos da Prefeitura de Jaú e o pessoal do museu da TAM não pensaram em outra coisa a não ser cobiçar a peça rara.

Qualquer que seja o destino do Jahu é certo que, segundo João Velloso, presidente da Helipark, não será voando, pois a estrutura do hidroavião não suportaria um vôo. Entretanto em 1927, o Jahu colocou o jauense João Ribeiro de Barros na história. Seria digno ao hidroavião também permanecer na história.

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