O preço do litro do álcool fixado nos postos de combustíveis de Bauru caiu 25% em março na comparação com o mesmo período do ano passado - mês atípico no setor quando o valor do produto “explodiu”. Este percentual é obtido quando leva-se em consideração o atual preço máximo do combustível - R$ 1,50 - e o valor mais alto praticado há 12 meses, que era de R$ 2,00. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na média nacional, o litro passou de R$ 1,98 no ano passado para R$ 1,58 em março último.
Quando comparados os preços mínimos praticados em Bauru em março de 2006 e 2007 a queda é menor: 11,3%. No ano passado, o menor valor do álcool nos postos da cidade era de R$ 1,59, contra a atual marca de R$ 1,41, segundo a ANP. Na avaliação do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro-SP), no ano passado, quando o litro do produto chegou a R$ 2,00, perdeu-se 35% do mercado consumidor. Agora, os produtores estão tentando evitar isso.
O momento de entressafra da cana-de-açúcar, matéria-prima para a produção do álcool, leva o diretor do Sincopetro em Bauru Edivaldo Tuschi a fazer uma avaliação cautelosa. Segundo ele, a qualquer momento os preços de venda do álcool em Bauru podem subir, já que a colheita da cana recomeça somente no final deste mês.
“Este é um momento de incerteza por causa da entressafra da cana. Hoje, o preço médio de custo do álcool (valor cobrado pelas distribuidoras ao vender para os postos) é de R$ 1,32. Isso significa que, para que os donos de postos tenham uma margem razoável, seria preciso aumentar no mínimo R$ 0,15 (o preço de venda para o consumidor)”, analisa.
Indefinição
Segundo Tuschi, se as distribuidoras aumentarem o valor de custo do álcool nesta semana - possibilidade que não é descartada pelo mercado -, é muito provável que os preços ao consumidor final aumentem. Na avaliação do diretor do Sincopetro, o valor venal do litro do produto “deveria estar em torno de R$ 1,67 hoje”.
“No momento é difícil fazer previsões. O preço do álcool poderia estar mais alto por estarmos na entressafra da cana, mas como o período de safra já começa no final deste mês, pode ser que os donos de postos consigam segurar os preços do jeito que estão. Por outro lado existem outros agravantes nessa história, como a recente lei que passou a proibir os postos de comprar álcool de outras bandeiras (que não seja a marca representada pelo estabelecimento)”, analisa o empresário.
A professora Jaqueline Sanas, que utiliza diariamente seu carro - movido a álcool - para trabalhar e buscar os filhos na escola, reclama dosa atuais preços do combustível. “As pessoas (donos de postos) sempre falam que a margem de lucro está baixa e que os preços deveriam estar mais altos, mas eu acho caro do jeito que está agora. Não vejo motivo para tanto aumento se tem tanta oferta de álcool no País”, reclama.
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Reajustes anormais
No início de março do ano passado, conforme divulgado no Jornal da Cidade, distribuidoras como a Petrobras e a Texaco elevaram o preço de custo do álcool hidratado (vendido nas bombas) para R$ 1,70 e R$ 1,68, respectivamente. Os postos, por sua vez, repassaram os reajustes.
Além desses aumentos, na época justificados pela entressafra da cana-de-açúcar, até mesmo a alta do álcool anidro (misturado à gasolina) acabou influenciando os preços do álcool hidratado. As usinas passaram a investir mais na produção do anidro e, conseqüentemente, os postos começaram a ter dificuldades de comprar álcool hidratado nas distribuidoras. Na ocasião, postos da cidade chegaram a ficar algumas horas sem o produto nas bombas.