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Controladores de vôo negam intenção de greve na Páscoa

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA) negou ontem que haja qualquer risco de uma nova paralisação de controladores no feriado prolongado da Páscoa. Ulisses Fontenele, representante da associação, admitiu que a paralisação é considerada crime no meio militar, mas disse acreditar que o acordo com o governo, que prometeu não punir ninguém, será respeitado. “Que houve crime, todo mundo sabe, mas existe um crédito grande em favor do governo. Ele tem que se comprometer com a palavra dele de que ninguém seria punido. O Ministério Público Militar tem obrigação de investigar, mas o que foi prometido é a anistia prévia”, disse.

Para Fontenele, o ideal seria a criação de um projeto de lei a ser enviado para o Congresso, caso a Justiça Militar defina punições para os controladores que se amotinaram. “O que aconteceu na sexta foi momento, não foi motim planejado. Havia sido planejado apenas greve de fome, mas situação se agravou.”

Mas, os controladores de vôo civis decidiram ontem em assembléia realizada no Rio decretar estado de greve por pelo menos 15 dias. Na prática, é uma ameaça de greve.

A paralisação dos controladores começou na tarde de sexta-feira depois que o comandante do Cindacta-1, Carlos de Aquino Vuyk, ameaçou punir quem se amotinasse. Na manhã do mesmo dia, os controladores já haviam ameaçado realizar a greve de fome.

Tripulação reclama

Comissários de bordo e pilotos dizem também ser vítimas da crise aérea e reclamam de falta de apoio psicológico das empresas em caso de agressões de passageiros enfurecidos. Os relatos são feitos ao Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Muitos preferem não fazer declarações públicas por medo de demissão. Entre os casos relatados está o de tripulantes que, por medo de reações violentas de passageiros, tiram o uniforme no banheiro do aeroporto para não serem reconhecidos. “Temos de seguir preparados para ter dose extra de paciência e psicologia para lidar com todo o estresse”, conta Leonardo Souza, comissário de bordo da Varig, que integra o sindicato.

Sem apoio psicológico nem orientação específica, comissários e pilotos que chegam a um limite de desgaste emocional têm conseguido folgas extras. “Por mais que haja treinamento para enfrentar situações de revés, ter de aplicar isso o tempo todo, no limite máximo, causa uma sobrecarga de estresse muito grande”, diz Gerson Dias, comissário da Varig.

Os aeronautas seguem normas que regulam a profissão, como o máximo de 12 horas de trabalho em vôos domésticos. Com os freqüentes atrasos dos últimos meses, muitas tripulações têm de pernoitar em cidades diferentes do destino previsto. Quando não há equipe de prontidão para fazer a substituição, as empresas aéreas enviam outra tripulação, em outro vôo ou até de ônibus.

Uma comissária, que preferiu não se identificar, recebeu xingamentos de passageiros após um pouso em Campinas. A tripulação tinha extrapolado o período de trabalho e seria substituída. Mas a nova equipe seguiu de ônibus até a cidade, o que iria demorar 1h30. Ela já havia trabalhado 11h30 direto.

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