Tribuna do Leitor

O problema está no DNA


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Por mais que se queira acreditar que a corrupção e a improbidade possam ser erradicadas do meio político, cada dia que passa fica mais difícil acreditar nessa verdadeira lenda. Alguns políticos, talvez a maioria, não nos deixa sequer sonhar e nos surpreendem com seus atos cada vez mais escabrosos contra o erário. Dessa vez o ato libidinoso veio da cidade do Rio de Janeiro, onde alguns “espertos” parlamentares estaduais esqueceram de devolver ao patrimônio público os veículos que utilizavam enquanto estavam com seus mandatos vigentes. Como ninguém os lembrou nem mesmo um esperto assessor ou até quem sabe um distraído familiar, os atarefados ex-deputados continuaram usando os veículos da Assembléia Legislativa impunemente.

Além de receberem uma fortuna em forma de salário, ter mordomias inaceitáveis em seus gabinetes, verbas adicionais para correio, combustíveis, viagens, telefonia e muito mais, os políticos ainda querem levar para casa um pedaço do que é público. Como se já não estivessem roubando a esperança de milhões de pessoas nos quatro anos em que duram seus mandatos quase sempre improdutivos.

Pelo jeito que as coisas acontecem no Brasil, e o ato falho dos parlamentares cariocas não é caso isolado com certeza, creio que o problema está no DNA dos políticos brasileiros. Eles já nascem com essa disfunção genética que os leva a propensão para roubar, desviar, apropriar-se indevidamente e não fazer pelo povo, nem para o povo o que é do povo.

Pena que no DNA do eleitor não haja um antídoto capaz de visualizar antes das eleições aqueles que não deveriam jamais ser eleitos para depois enlamearem os gabinetes pagos com dinheiro do povo.

Pena que os auditores do Ministério Público não tenham uma política preventiva em relação à fiscalização das coisas públicas. Pois estamos cansados de ver o MP chegar depois que a porta foi arrombada, e ver em seguida a Justiça premiar os criminosos do colarinho com vantagens e benesses múltiplas. Podem responder em liberdade e se forem presos podem conseguir facilmente um hábeas corpus, se levados a julgamento são inocentados e se condenados podem recorrer em liberdade e no final da história jamais em tempo algum tiveram que devolver aos cofres públicos os valores envolvidos em sua acusação.

Se todo o dinheiro desviado do Brasil por políticos para o exterior fosse devolvido, com certeza o nosso país estaria numa situação muito melhor e teria recursos para aplicar na educação, habitação, saúde, segurança e alimentação de sua gente, isso é claro, se não houvesse nenhuma recaída naqueles que estivessem recebendo o dinheiro devolvido.

Rafael Moia Filho

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