Economia & Negócios

Energia fica mais cara neste mês

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

A partir deste domingo, consumidores residenciais e industriais de Bauru precisarão tirar mais dinheiro do bolso para pagar a energia elétrica. Em média, as contas de luz de todos os clientes da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) sofrerão acréscimo tarifário de 3,71%. Os consumidores de baixa tensão, como residências e empresas de pequeno porte, terão reajuste de 3,48%. Já as indústrias de médio e grande portes serão atingidas por um aumento de 4,02%.

Em Bauru, a alta da energia já preocupa alguns consumidores. A dona de casa Márcia Beraldo Pedro, moradora no Núcleo Gasparini, está pensando em alternativas para tentar diminuir o impacto do aumento. Na sua próxima conta, a previsão é de que ela pague R$ 281,00 pelo consumo de energia elétrica.

“O jeito vai ser desligar a geladeira à noite e manter os aparelhos conectados à tomada só quando forem usados. Também estou pensando em lavar roupa apenas uns dois dias por semana”, comenta a dona de casa, que vive na residência com mais três pessoas adultas.

Se a conta de Márcia já tivesse sofrido o reajuste, em vez de pagar R$ 281,00, ela teria de desembolsar R$ 290,77. A esse valor ainda seriam somados os custos com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cuja alíquota é de 25% sobre o valor da conta, do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que juntos aumentam em cerca de 5% o valor pago pelos consumidores.

Inflação

Apesar do aumento já provocar certo desconforto entre os usuários, o economista Fernando Pinho avalia que o reajuste está de acordo com a inflação acumulada em 2006 e dentro do esperado para este ano. Segundo explica a assessoria de imprensa da CPFL, o reajuste da empresa é aplicado sempre no mês de abril de cada ano.

Na opinião de Pinho, porém, o aumento tarifário deveria ser menor para o setor industrial, principalmente por conta do impacto que pode gerar na inflação.

“A indústria acaba repassando esse reajuste para o custo de vida, isto é, o cliente passa a pagar mais pelos produtos. Isso incentiva o aumento da inflação”, explica o economista.

Pinho ressalta que se o aumento maior fosse direcionado às residências o risco de inflação seria zero, já que pessoas físicas não têm como repassar custos.

“Esses consumidores ficam mais onerados, mas em compensação, não haverá impacto no custo da inflação. Falando sob o aspecto da macroeconomia, seria muito mais lógico repassar o reajuste maior para o consumidor pessoa física”, analisa o economista.

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Reajuste maior

As distribuidoras de energia elétrica propuseram reajustes maiores aos consumidores, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). De acordo com o órgão, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) - que abastece Bauru - solicitou aumento de 7,74%. A Aneel informa que, ao calcular o reajuste, leva em consideração a variação de custos que as distribuidoras tiveram no decorrer do período de referência.

A fórmula do cálculo inclui custos gerenciáveis e não gerenciáveis, como a energia comprada de geradoras, taxa de fiscalização, encargos de transmissão e geração, entre outros. O mês de abril é a data-base para o reajuste tarifário anual da CPFL.

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