Meu avô materno costumava dizer:
- Obrigado, só pau-de-arrasto.
O que é pau-de-arrasto? É o transporte de madeira em carreta, ou simplesmente acorrentada deixando sulcros em sua passagem.
Enganou-se, à época, o meu saudoso avô.
Funcionário público estadual virou pau-de-arrasto. Teve sua conta transferida “na marra”, para o “Nosso Banco Nossa Caixa”, e para pior! Hoje compareci à agência bancária. Informaram-me: “O pagamento deixou de ser no terceiro dia útil, passando par ao quinto dia útil.”
- Gostaria de saber se já chegaram os holerites.
- Só na próxima semana...
Em 1958, há quarenta e nove anos, recebia o primeiro pagamento do Estado, como secretário de escola estadual. E, pela primeira vez, desde então, assisto, perplexo, à desorganização do Estado.
Não, não tenho cartão magnético. Nem cheque. Porque não quis.
E não quero! Não custa dizer que as contas dos funcionários públicos do Estado de São Paulo foram transferidas para o “Nosso Banco Nossa Caixa” (ou “Nossa Caixa Nosso Banco”?) por decreto do governo, por pura imposição. Sabe-se: tudo isso se deve à venda (ou entrega?) do Banco do Estado de São Paulo S/A, por detentores de poder no Estado. E o que o funcionário público tem a ver com isso? Ou seria um “chamarisco” para uma próxima transferência do banco para outra multinacional? Quem poderia dizer?!
Seria cômico, não fosse trágico (sabe-se: a frase não é minha). Mas... é como se você chegasse a um restaurante e pedisse um determinado prato: maionese de frango.
- Temos o que o senhor pediu, mas hoje o senhor terá de pedir nossa lasanha. Determinação do gerente...
Você levanta-se, despede-se, vai em busca de outro restaurante. No caso do depósito de seus vencimentos, não. Você fica à mercê do governo estadual. Por quê?! Talvez para contrariar a assertiva de meu avô, João Theodoro Baptista, porque “obrigado”, só “pau-de-arrasto” e funcionário público do Estado de São Paulo. Pode isso?!
Álvaro Baptista Pontes - da Associação Paulista de Imprensa