Para nossos vereadores, em especial ao vereador João Parreira de Miranda, que na última sessão da Câmara de Vereadores de Bauru (2/4), questionou o que é e o que não é Cultura e Arte, trago aqui um apanhado sobre o assunto, na tentativa de informar não somente ao vereador e seus colegas, mas também a população em geral.
Cabe também dizer que sou atriz, não detentora da verdade. Isso por que cada qual acredita no que quer. Não cabe a outro julgar o que é certo e o que é errado, gosto não se discute. Mas se os gostos não são os mesmos, deve haver respeito pelas diversas opiniões. Impor uma opinião, que seja no campo artístico, político ou científico é abuso de autoridade, é uma atitude ditatorial. Assim como coibir, seja por atitudes ou palavras, outras manifestações contrárias à sua, é cerceamento da liberdade de expressão.
Estamos no Brasil, ano de 2007, e o único que resta a boa parte da população é o direito de expressar-se livremente.
Também trago abaixo a definição de política. Isso por que acredito que antes de falarmos sobre algo, devemos nos informar a respeito. Mas este é um costume meu. Deve ser vício de profissão, pois artista, artista mesmo, passa a vida estudando, pesquisando, em busca de novos conceitos e idéias. Isso ajuda a sermos um “povo”, livre de preconceitos, abertos ao novo. A isso devemos grande parte da evolução do ser humano, pois durante muito tempo, arte e cultura caminhavam lado a lado.
Por razões do uso do espaço desta tribuna, tomei a liberdade de editar o texto, para que aqui coubesse. Mas indico o endereço do site, uma enciclopédia virtual chamada Wikipédia: pt.wikipedia.org
Sobre o ocorrido na última sessão da Câmara, o embate entre os edis e os artistas realmente houve excessos de ambos os lados. Se a casa tem suas normas, elas devem ser respeitadas. Mas acredito também que o respeito deve vir de ambos os lados. Muitas vezes a manifestação da assistência durante as sessões se dá em resposta aos discursos de certos vereadores, que causam esse tipo de reação por serem extremamente jocosos, cínicos, para não dizer agressivos e amorais. Neste caso, a proibição da assistência de se manifestar vem como um escudo, onde eles (os vereadores) podem falar o que bem entendem e cabe a nós (assistência) nos contentarmos com o uso da tribuna ocasional e esporadicamente.
Também a preocupação em se manter a ordem dentro da Câmara não pode ser do tipo “dois pesos duas medidas”. Que moral tem um vereador que exige silêncio da assistência, enquanto seus colegas gargalham, fazem alongamento, penteiam os cabelos, passeiam, entram e saem da sala a todo instante?
Bem, tudo isso, todos nós já sabemos. Finalmente estamos saindo do apenas saber e entrando no agir. O corrido na câmara foi um ato. Um ato da SAC, da ATB, da ADAB, do Cine Clube, do Ouro Verde 100% Arte, da Associação de Dramas e Folias, do Povo parado no ponto de ônibus...
Susan Lopes