Tribuna do Leitor

Sobre cães e policiais


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Na edição de quarta-feira, 28 de março, chega a ser irônico que apenas três páginas separam a denúncia da estudante vítima de preconceito da polícia bauruense (seção cartas) da matéria do jornalista Luís Galano sobre o treinamento de cães pela mesma instituição. Desde que a Unesp/Bauru iniciou o programa de intercâmbio com os estudantes angolanos, em 2005, saltam aos olhos da comunidade acadêmica os casos desses jovens negros que são molestados pela polícia sob o enfadonho argumento do “procedimento de rotina”.

Pergunto: por que apenas os estudantes afro-descendentes sofrem batidas, interrogatórios e agressões verbais, já que os estudantes brancos, que freqüentam os mesmos lugares, nunca foram submetidos a esses mesmos tipos de procedimento? Fica claro que a Polícia Militar bauruense deveria priorizar a formação humana dos seus polícias, e deixar o treinamento de cães aguardando na sua lista de investimentos. Sou jornalista, jovem, branco, e não me sinto protegido ou representado por essa polícia. Nesse texto, até caberia aquele famoso ditado: “Quanto mais conheço os homens, mas aprecio a companhia dos cães”. E nem aqui a ordem de prioridade deveria ser essa. Do mais, espero que o Conselho da Pessoa Negra e a Comissão de Direitos Humanos de Bauru esteja lendo atentamente esse jornal.

Leonardo Valle - jornalista - RG 43.970.664-6

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