Tribuna do Leitor

As reuniões públicas do Plano Diretor


| Tempo de leitura: 2 min

Nos dias 21 e 28/3/2007 foram realizadas reuniões públicas na Câmara Municipal. Aliás, ainda não deu para saber o que é reunião e o que é audiência pública. Embora o horário fosse impróprio (14h) para a maioria dos delegados e o povo em geral, foi expressiva a presença de participantes, o que bem demonstra o interesse que o Plano Diretor desperta. Sugestão para os responsáveis: realizar o evento às 19h. Os temas foram respectivamente meio ambiente e desenvolvimento. A palestra do geólogo Guilherme da empresa Hidro Brasil, contratada pelo DAE para realizar estudos hidrogeológicos do aqüífero localizado na área urbana, revelou uma realidade terrivelmente preocupante: não se deve perfurar nem mais um poço, seja particular ou oficial na área da bacia hidrográfica do Ribeirão Bauru, sob risco de comprometer a sustentabilidade de vazão dos atuais 32 poços do DAE, responsáveis por 60% do abastecimento de Bauru. Cabe agora ao DAE e ao DAEE, órgãos que têm a função de gerenciar tais recursos, fazer valer tão importante conclusão técnica e também a população denunciando.

A participação do sr. Pedro Valentim chamou a atenção pela atualidade e pelo seu acerto. Disse que o Plano Diretor com seu tecnicismo, a cidade com os condomínios fechados pelos “muros de Berlim”, e agora a instalação de câmaras de vigilância (no novo quartel e Calçadão), comete o pecado mortal de não levar em conta a inclusão social. Somente essas providências não diminuirão o índice de criminalidade que está aumentando. A cidade de Medelin, na Colômbia, considerada uma das mais violentas do mundo até recentemente, só conseguiu reverter sua realidade quando adotou uma radical política de inclusão social: urbanizou favelas, construiu teleférico para transporte do povo, instalou equipamentos públicos (escolas, creches, postos de saúde, delegacias, etc.) e colocou as forças de segurança, após capacitá-las para tratar a população com respeito e dignidade. D. Lídice fez uma comovente defesa do Plano Diretor, quando afirmou que ele é resultado da vontade do povo e apelou ao vereador Marcelo Borges para não alterá-lo.

Por último, o secretário Wallace Sampaio comunicou a positiva notícia da instalação de uma Planta Industrial de Biodiesel no Distrito Industrial, tendo o Pinhão Manso como matriz de matéria-prima a ser produzido pelas propriedades rurais do município e região. Está aí mais um bom e justificado motivo para manutenção e continuidade da Sagra (Secretaria Municipal de Agricultura), recém desmantelada e hoje sem rumo. Ao final, pode tirar-se pelo menos uma conclusão: a reunião (ou audiência) pública é um poderoso instrumento que dá voz ao povo e possibilita enxergar as questões sob visões que normalmente não são percebidas por técnicos, legisladores e Executivo.

Eng. Agr. Christopher Davies - RG 8.739.142

Comentários

Comentários