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Novo ministro da Saúde anuncia federalização do Incor de Brasília

Folhapress
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São Paulo - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou ontem a federalização do Instituto do Coração (Incor) de Brasília, após reunião com os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Os três aceitaram a proposta, que anteontem tinha sido apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o ministro.

O hospital ficará agora sob responsabilidade da União, mas mantendo vínculo técnico-científico com o Incor-SP. “O governo federal está assumindo o Incor-DF como uma unidade do Instituto Nacional de Cardiologia do Ministério da Saúde”, afirmou Temporão.

O ministro explicou que após a revelação da crise financeira do hospital, no final do ano passado, a Fundação Zerbini e o governo de São Paulo decidiram que a fundação iria ficar só com a unidade paulista. E que isso gerou “problemas graves”, porque a unidade do Distrito Federal ia deixar de realizar 1,5 mil cirurgias cardiovasculares, 500 cirurgias pediátricas e 4 mil procedimentos de hemodinâmica (cateterismo) por ano.

Outra medida determinada, segundo Temporão, é a criação de um grupo que, em 48 horas, vai levantar a situação financeira do Incor-DF, porque o volume da dívida é desconhecido. Serão avaliados o passivo trabalhista e o montante de recursos necessários para funcionamento da unidade daqui para a frente. “O Incor não vai fechar”, disse o ministro.

O diretor-executivo comercial do hospital, Paulo Montenegro, usou uma metáfora para expressar sua opinião sobre a federalização. “Hoje, fui transferido da UTI para o leito de baixa complexidade”. “Foi a solução institucional que nos pareceu a melhor possível. Com isso, a crise começa a acabar”, afirmou o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

A federalização será feita num trabalho integrado com o governo do DF, segundo o ministro. Em novembro último, a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal determinou abertura de inquérito para apurar denúncias de superfaturamento na compra de equipamentos e irregularidades no pagamento de pessoal do Incor.

Segundo a procuradoria, antes mesmo de a unidade entrar em funcionamento, os médicos já estavam recebendo “altos salários”.

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