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Com Estado, AHB quer fechar no azul

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Com uma dívida milionária, que crescia cerca de R$ 409 mil por mês no ano passado, a Associação Hospitalar e Bauru (AHB) pode começar a ter as contas mensais no “azul” já em abril. O repasse mensal anunciado pela Secretaria de Estado da Saúde de R$ 500 mil deve entrar até o dia 30. O objetivo da AHB, informa o superintendente Reinaldo Rocha, é fazer esse dinheiro render o máximo possível, e poder começar a investir na entidade.

Entender o déficit das contas da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) é simples. A instituição filantrópica se mantém com repasses, principalmente governamentais e de convênios médicos. Atualmente, a AHB recebe cerca de R$ 3 milhões ao mês do Sistema Único de Saúde e outros R$ 600 mil de convênios. Porém, os gastos dos três hospitais mantidos pela entidade giram em torno de R$ 4 milhões. Ou seja, todos os meses, a entidade enfrenta um déficit de R$ 400 mil. Em 2006, a instituição fechou o ano com uma dívida de R$ 25 milhões com fornecedores.

“No ano passado, já reduzimos o déficit em torno de R$ 1 milhão. E a idéia (com os repasses do Estado) é ter um pequeno superávit”, revelou Rocha em coletiva de imprensa realizada ontem à tarde. Para contornar esse déficit mensal, a AHB – mantenedora dos hospitais de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel – foi uma das entidades apontadas pela Secretaria de Estado da Saúde, para receber uma verba mensal para quitar essa diferença entre receita e despesa. A AHB receberá R$ 500 mil durante seis meses, renováveis por mais seis, conforme foi divulgado na última terça-feira pelo Jornal da Cidade.

Para receber esse benefício, os hospitais da AHB deverão cumprir uma série de metas quantitativas - como o aumento de atendimentos de urgência e emergência - e qualitativas - como melhora do atendimento e humanização do sistema. No final do primeiro semestre de repasses, o cumprimento ou não dessas metas definirá a renovação do benefício e o seu valor.

Coincidentemente, o projeto está saindo pouco tempo depois da contratualização das entidades com o Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com Rocha, o acordo com o Ministério da Saúde também é baseado em metas de qualidade e quantidade. “Na realidade, nós tivemos que nos adequar ao SUS, que contempla 90% das metas do projeto estadual. Eu tenho impressão que foi planejado para realmente agregar valor e fazer os hospitais cumprirem metas”, avalia.

Para fazer o repasse estadual render, a AHB vai priorizar as compras à vista. “Esse dinheiro vem para custeio e pode ser utilizado para pagamento de materiais, medicamentos e pessoal. A nossa idéia é utilizar nas compras, pelo ganho efetivo. Se você comprar à vista, você tem o desconto e faz o dinheiro render no primeiro mês”, planeja. Com a verba economizada nessa área, a entidade passa a ter dinheiro para investimento. “Além, da eliminação do déficit anual, tem um ganho efetivo. Para a AHB era o que precisava”, avalia Rocha.

Rocha ressalta que o principal problema dos hospitais geridos pela AHB continua sendo a defasagem da tabela do SUS, que gera um prejuízo médio de R$ 300, por atendimento. Porém, Rocha mostrou tabelas com exemplos extremos de casos que a defasagem passam das dezenas de milhares de Reais.

De acordo com ele, a Federação Brasileira de Hospitais e o Sindicato Patronal dos Estabelecimentos de Saúde calculam em 45% o percentual de reajuste a ser aplicado nos procedimentos previstos na tabela.

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Kits para diálise

Há um mês, pacientes renais crônicos de Bauru e região que fazem diálise em casa foram informados que corriam risco de ficar sem o kit distribuído gratuitamente para realizar o processo. A Baxter Hospitalar Ltda, empresa que fornece o material, enviou carta aos 73 atendidos em Bauru e região alertando que por falta do repasse feito pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), abril seria o último mês de envio dos kits.

Ontem, Reinaldo Rocha, superintendente da AHB, revelou que a dívida com a empresa é de R$ 5,2 milhões, que foram negociados em 80 parcelas sem juros. A pendência vem acumulada desde 2002. Ontem, Baxter e AHB chegaram a um consenso, e a expectativa é de fechamento de acordo até a segunda-feira. A associação já efetuou pagamento de R$ 240 mil à empresa e a distribuição de kits está garantida pelo menos até o início da próxima semana. O acordo também prevê que o pagamento de R$ 140 mil mensais, referentes ao consumo dos usuários, será pago à vista.

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