Falta de liderança. Este é o principal problema que a política bauruense vive atualmente. Quem afirma é o ex-prefeito Oswaldo Sbeghen, que governou o Município entre 1977 e 1983, período considerado um dos bons já vividos por Bauru. Para o ex-prefeito, além do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) a cidade não tem uma liderança política, e o que é pior, Sbeghen não vislumbra nenhum nome que possa mudar esse quadro.
O ex-prefeito afirmou estar entristecido com a situação do Município, que segundo ele não tem um político capaz de melhorar o cenário atual. De acordo com ele, a situação poderia mudar se o próprio Pedro Tobias tomasse as rédeas da liderança municipal para si, mas o próprio Sbeghen afirma que a influência do deputado vai além dos limites da cidade. “O Pedro poderia ser esse líder, ou preparar alguém, mas além dele, não há outro”, comentou.
No entanto, Sbeghen lamentou o problema de saúde do deputado, que sofreu um acidente vascular cerebral leve há duas semanas. “Eu não vejo outra pessoa, mas acho que o Pedro não tem o perfil para o Executivo. Ele é um grande legislador”, afirmou.
Sbeghen também falou sobre as pretensões do prefeito de Agudos, Carlos Octaviani, de disputar as eleições do próximo ano em Bauru. Para o ex-prefeito, Octaviani está fazendo uma boa administração em Agudos, mas Bauru precisa formar seus próprios líderes. “O Octaviani é meu amigo. Gosto muito dele e acho que está fazendo uma grande administração em Agudos, mas Bauru tem resolver seus próprios problemas. Mas se o povo assim desejar”, disse.
Devagar
Os três meses de José Serra (PSDB) à frente do governo do Estado também não agradam ao ex-prefeito Oswaldo Sbeghen. Para ele, o governador está “devagar”. Sbeghen arrisca uma comparação com o ex-governador Geraldo Alckmin, antecessor de Serra. “O Alckmin era mais ativo, sobretudo para o interior”, disse.
Apesar da crítica, Sbeghen destacou que o atual governador deve estar enfrentando problemas para administrar o Estado. “Ele está com problemas, porque não se vê movimento. Começo de governo costuma ter mais dinamismo e eu estou achando ele meio paradão”, completou.
O ex-prefeito também não está gostando do desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e tomou como base o “apagão aéreo” para falar sobre o governo federal. Segundo ele, a crise no setor aéreo brasileiro é uma questão política e o presidente deveria se empenhar em resolvê-la. “Nosso presidente não está agindo. Desta vez ele não falou que não viu, mas também não resolveu nada. Das outras vezes ele não sabia de nada, agora ele sabe, mas também não resolve”, salientou.