Vilma dos Santos Pizelli, 42 anos, tenta comprar sua casa própria desde quando casou, há 23 anos. Ela trabalha como vendedora ambulante no Centro de Bauru e, assim como a maior parte dos profissionais autônomos, sempre esbarrou na comprovação da renda quando tentou adquirir crédito imobiliário. “Eu sempre tive dificuldade de financiar uma casa porque não tinha holerite.” Agora, a trabalhadora está muito próxima de realizar seu sonho. Os bancos estão mais flexíveis com as exigências para contratos habitacionais destinados a quem não tem registro em carteira de trabalho.
Um extrato bancário ou comprovantes de movimentação financeira no comércio bastam para levar a negociação adiante. “Estou tentando um financiamento pela Caixa (Econômica Federal), que deve ser liberado ainda neste mês. O recibo da taxa de alvará, que pago à prefeitura, mais uma declaração de renda, que o Sindicato (dos Trabalhadores Informais) me forneceu, desta vez foram suficientes para o pedido ser aceito”, ressalta Pizelli.
De acordo com a assessoria de comunicação da Caixa Econômica Federal (CEF), o número de contratos imobiliários aprovados em Bauru e região cresceu nos três primeiros meses deste ano entre mutuários de baixa renda, faixa que considera pessoas com rendimento de até cinco salários mínimos, incluindo profissionais autônomos.
Em comparação ao primeiro trimestre de 2006, a evolução foi de 26,37%. De janeiro até a penúltima semana do mês de março deste ano foram assinados 939 contratos, enquanto nos mesmos meses do ano passado foram aprovados 743.
Extrato bancário
“Esse cenário é resultado da facilidade que a rede bancária passou a oferecer a essa categoria. Hoje, um simples extrato bancário é suficiente para comprovar a renda da pessoa. Sem falarmos que muita coisa deixou de ser solicitada, como a certidão vintenária (histórico dos últimos 20 anos do imóvel)”, analisa Wânia Pôrto, delegada do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) em Bauru.
Na opinião dela, os bancos desburocratizaram em 60% o financiamento de crédito imobiliário, em todas as linhas oferecidas. A delegada também atribui a maior aprovação de contratos habitacionais ao aumento de dinheiro disponibilizado pelo governo a esses programas.
Na CEF, os profissionais autônomos que tentam aprovar o financiamento da casa própria podem comprovar a renda através de um demonstrativo das despesas mensais com aluguel, supermercado, cartão de crédito, entre outros gastos, segundo o gerente-geral da agência Centro, Nelson Antonio Calsavara.
“O crescimento da aprovação de créditos imobiliários em Bauru pela CEF é motivado por nossa experiência no mercado, agilidade nos processos e por conta dos critérios de apuração, que contemplam também os trabalhadores informais. Além disso, a estabilidade econômica, que é percebida pelos interessados, tem contribuído consideravelmente”, avalia o gerente.
Para o economista Mauro Gallo, a aquisição de financiamento imobiliário entre a camada de baixa renda da população está crescendo, principalmente, porque os ganhos dessa classe melhoraram bastante nos últimos anos.
“Os ganhos ficaram acima da inflação. Isso porque o governo está incentivando a indústria da construção civil, que gera emprego justamente para pessoas de baixa renda”, avalia.
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Crescimento
De acordo com a delegada do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) em Bauru Wânia Pôrto, as vendas de imóveis residenciais cresceram 30% em Bauru nos últimos meses, entre clientes com níveis de renda variados.
Para ela, a tendência é resultado do crescimento populacional do município e da influência das universidades, que atraem muitos estudantes que acabam estabelecendo moradia fixa em Bauru. Mas acima de tudo, ela destaca o crescimento dos empregos sem carteira de trabalho assinada. “As vendas aumentaram na mesma proporção em que cresceram os empregos informais”, destaca.