Economia & Negócios

Mais de 27 mil aposentados terão reajuste de apenas 3,3%

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

O aumento de 3,3% concedido nesta semana para aposentadorias e pensões de segurados que recebem mais de um salário mínimo vai atingir 27.804 beneficiários em Bauru e região. Outras 4.079 pessoas, que foram aposentadas por invalidez, também receberão o reajuste - concedido pelo governo federal - a partir de maio, segundo o setor de benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Bauru.

A notícia do aumento causou indignação entre a categoria, que esperava reajuste, pelo menos, igual ao índice de 8,57% dado ao salário mínimo - que passou de R$ 350,00 para R$ 380,00.

“É um aumento ínfimo, que não vai fazer diferença no orçamento de ninguém”, avalia o aposentado Dalton Vasquez, 64 anos, que continua trabalhando para aumentar a renda e conseguir dar conta dos compromissos financeiros.

Em Bauru, os órgãos representantes da categoria também manifestaram descontentamento com o índice. “Ficamos frustrados com esse percentual, embora já esperássemos que o reajuste não agradaria. Faltou boa vontade política do governo”, ressalta Mário da Paz Pereira, da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região.

Para ele, o índice oferecido ao salário mínimo também não atende as necessidades dos segurados. “O descontentamento é geral. Pelo custo de vida que temos, (o aumento de 8,57% do salário mínimo) não representa nada”, acrescenta.

Carlos Delfino da Silva, representante da subsede do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindinapi) de Bauru, acha que o reajuste deveria ir além da reposição inflacionária. “O governo tem de dar ao aposentado o que lhe é de direito. Para isso, precisamos de um aumento suficiente para recuperarmos todas as perdas dos últimos anos”, enfatiza.

Aumento real

Na opinião do economista Fernando Pinho, os aumentos das aposentadorias têm sido concebidos diante de uma realidade que o caixa do governo não suporta. “Nos últimos anos, tivemos reajustes do salário mínimo muito acima da capacidade da economia de gerar esses benefícios. Eu só posso dar aumento real de salário quando a economia cresce”, interpreta Pinho.

O economista diz que esse cenário tem contribuído para que o caixa do governo fique deficitário. “Hoje, um dos maiores rombos que o governo tem no caixa e que faz, inclusive, com que se tenha uma taxa de juros alta para se manter esse dinheiro aplicado no mercado financeiro e financiar esse débito, é a Previdência Social”.

Pinho acredita que o aumento máximo que poderia ser oferecido de um ano para outro seria uma reposição inflacionária ou, no máximo, o percentual relacionado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

“Mas com essa política social dos últimos anos, os aumentos foram muito acima da capacidade da administração financeira federal suportar. Isso agravou o déficit e gerou a decepção entre os aposentados”, destaca o economista.

O percentual de aumento corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre abril de 2006 e março deste ano.

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Tendência

Para o economista Fernando Pinho, a tendência dos próximos reajustes de aposentadorias e pensões é serem cada vez menores, já que o déficit da Previdência Social cresce substancialmente. “Esse presente que foi dado nos anos anteriores está sendo tirado agora, pouco a pouco. O governo extrapolou”.

Pinho compara a situação que vive a Previdência a uma empresa que, num dado período, obtém lucros significativos. Além do salário, acabam oferecendo benefícios como 15º e 16º salários.

“Se essa firma passar por uma crise, obviamente serão cortadas essas benesses, o que vai descontentar os funcionários que esperavam a continuidade desses salários extras. Foi isso que aconteceu no País”, ressalta Pinho.

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Jornada de trabalho continua

Apesar de ter se aposentado há 12 anos, Dalton Vaquez, 64 anos, que sempre trabalhou na área de contabilidade, continua prestando serviços, mas como porteiro de um prédio em Bauru.

“Preciso aumentar a renda mensal. Só com o dinheiro da aposentadoria não dá. Trabalhando como porteiro, ganho o dobro do valor do benefício que recebo da Previdência”, conta.

Vasquez diz que não tem idéia de quando poderá parar de trabalhar. “Se eu pudesse, estaria na beira do rio, na praça Rui Barbosa batendo papo ou em qualquer outro lugar desfrutando do descanso que tenho direito. Mas infelizmente, recebendo o que o governo me paga, acredito que essas férias vão demorar”.

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