Misteriosamente, na manhã de ontem, uma imitação de bomba, feita de papel, apareceu fixada em frente à loja de fogos que explodiu na última terça-feira, na quadra 6 da Alameda Cônego Aníbal Difrância, no Parque Vista Alegre (PVA). Moradores do bairro acusam a proprietária do estabelecimento pela colocação da “bomba”, considerada um desrespeito diante da proporção do acidente – os danos da explosão se estenderam num raio de 50 metros, assustou moradores três quilômetros distantes do local e deixou duas pessoas levemente feridas, entre elas um policial.
O autor da “arte” provavelmente teve trabalho para confeccionar e instalar a imitação de bomba. Ao contrário de uma bombinha comum, a imitação de bomba, feita de papel, possuía duas extremidades pintadas de vermelho (alusão ao local onde é colocado o fogo, lembrando uma cabeça de fósforo) e um bojo de papelão para a pólvora.
A imitação de bomba, fixada por dois cabos de vassoura incrustados no cimento da calçada, acendeu o estopim e mandou para os ares a paciência dos moradores que foram prejudicados pelo incidente. Segundo o comerciante Carlos Paganeli, cuja loja se localiza em frente ao depósito de fogos, um pedreiro que presta serviços para Maria Ostti, dona do estabelecimento explodido, instalou o “bomba”. “Ele fixou esse negócio, a mando dela”, acusa.
Paganeli teve danos materiais substanciais. Ele diz que seu carro, que estava estacionado em frente à loja no momento da explosão, ficou danificado. “O conserto está orçado em R$ 7.800,00. Até hoje ela não conversou comigo, nem com os outros vizinhos prejudicados a respeito do assunto”, conta.
Lourdes de Morais, 72 anos, que mora ao lado do depósito e foi a mais prejudicada com a explosão, também critica a “brincadeira”.
A reportagem tentou conversar com Maria Ostti, proprietária da loja de fogos, que estava na calçada e observava de longe a equipe do JC. Ao ser indagada se realmente teria sido ela a responsável pela “brincadeira” e o que motivou a atitude, ela ironizou. “Não sei quem foi, você sabe?”, disse às gargalhadas.
De acordo com o delegado seccional Doniseti José Pinezi, em matéria do JC publicada na semana passada, a proprietária da loja sempre manteve a documentação para comercialização dos fogos em ordem, mas por ter mudado de endereço neste ano, o estabelecimento funcionava sem alvará, que estava sendo providenciado. A polícia aguarda laudos técnicos para tentar esclarecer a causa da explosão. Os vizinhos da loja de fogos, que tiveram prejuízos com a explosão, estudam a possibilidade de pedir ressarcimento na Justiça.