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CPI do Apagão: governistas recuam e sinalizam acordo

Folhapress
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Brasília - No dia em que senadores da oposição anunciaram ter conseguido juntar as 27 assinaturas necessárias para protocolar o pedido de criação da CPI do Apagão Aéreo no Senado, a oposição na Câmara disse ter sido procurada por governistas com uma sinalização de acordo.

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA, ex-PFL) afirmou que foi abordado na tarde de ontem no plenário pelo líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE), para discutir a instalação da CPI. “Ele disse “vamos conversar, para instalar logo a CPI’”, afirmou Aleluia.

Numa manobra liderada pelo PT, o plenário da Câmara arquivou no mês passado o requerimento que criava a CPI. Mas a oposição recorreu ao STF e, hoje, a criação da comissão na Câmara depende de parecer do plenário do Supremo. Deputados e senadores democratas atribuem o suposto recuo ao temor de que uma CPI com viés semelhante seja criada no Senado, onde os partidos da base não têm maioria tão folgada quanto na Câmara. “O Senado foi responsável pela articulação do governo. Não há dúvidas”, disse Aleluia. Múcio, porém, negou ontem à reportagem ter feito qualquer proposta de acordo à oposição em relação à CPI. “Essa CPI vai ser decidida pelo STF. Ele (Aleluia) me entendeu mal.”

Nos bastidores, governistas admitem terem cometido um erro na questão da CPI. Avaliam que serão derrotados no STF. Por isso teria surgido a idéia de se antecipar ao STF e tentar barrar a CPI no Senado, onde poderão ter mais problemas do que se as investigações estivessem entre deputados. Se criada na Câmara, a CPI terá 16 integrantes governistas e só sete de partidos da oposição.

No Senado, a correlação de forças seria mais apertada. Segundo o senador José Agripino (DEM-RN), entre as 27 assinaturas colhidas, quatro foram de senadores de partidos da base governista, entre eles Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF).

O presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse ser contrário à criação da comissão. Segundo Renan, o Senado deve concentrar sua atenção em matérias “mais importantes”. “Eu sou contra, pessoalmente e politicamente. Acho que não é CPI que a Casa quer. Temos coisas mais importantes para serem votadas. Eu espero que o bom senso prepondere e que o requerimento de instalação da CPI não seja entregue à Mesa Diretora”, disse ontem.

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