Brasília - O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), culpou ontem os líderes partidários pela decisão de cancelar as sessões de votação às segundas-feiras e acusou um dos principais adversários de sua campanha à presidência, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI), de fazer disputa política de “baixíssimo nível” ao tentar elevar o valor da verba dos deputados para contratação de assessores, hoje de R$ 50,8 mil mensais.
O “desabafo” foi feito em plenário, em resposta a críticas do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA, ex-PFL) sobre o desgaste sofrido pela Casa. Segundo Chinaglia, a iniciativa de acabar com as sessões às segundas partiu de um líder da oposição e foi apoiada pelos demais. “Informo a Vossa Excelência que a iniciativa de haver ordem do dia às segundas, essa sim, foi da presidência.”
Segundo a reportagem apurou, na última reunião de líderes, o tucano Antônio Carlos Pannunzio (SP) levantou a contrariedade com as sessões às segundas. Chinaglia já vinha recebendo pressões de parlamentares insatisfeitos com elas. O petista foi ainda mais incisivo em suas críticas ao tratar do aumento da chamada “verba de gabinete”. Embora não tenha citado nominalmente Ciro Nogueira, Chinaglia disse: “o autor da proposta (de aumento) tem feito disputa política na Casa e tenta desgastar a Mesa, atribuindo-lhe o fato de não proteger os deputados, numa disputa de baixíssimo nível”.
Ciro, segundo-secretário da Câmara, apresentou a proposta de aumento de 28% na verba de gabinete. A votação foi anteontem, e, dos sete integrantes da Mesa, só Ciro votou pelo aumento. Procurado ontem pela reportagem, Ciro admitiu que as palavras de Chinaglia se referiam a ele. “Vou dar uma maturada. Estou tentando entender o que foi dito ali.