O Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru, em reunião realizada na noite de anteontem, discutiu uma carta publicada na Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade, no dia 28 de março, envidada pela estudante de jornalismo Luana Nascimento, que narrou a forma violenta como ela e um grupo de estudantes angolanos teriam sido abordados pela Polícia Militar (PM).
Em nota enviada à imprensa, o conselho condenou a atitude da polícia, mas ressaltou que os jovens deveriam registrar o acontecido em boletim de ocorrência. O major Nelson Garcia Filho, subcomandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), ressalta que a PM está de portas abertas para receber os universitários e apurar as denúncias levantadas por eles, inclusive oferecendo ajuda na tentativa de reconhecer os policiais que teriam praticado a violência.
Para Duílio Duka de Souza, presidente do conselho, os estudantes devem registrar o acontecido em um BO para que os conselheiros possam seguir com alguma ação. O conselho também solicitou ao comando da PM a adoção de política de formação dos policiais sobre questões étnico-raciais. O major Garcia ressalta que durante a formação e ao longo da sua carreira, o policial passa por uma série de capacitações envolvendo direitos humanos.
O subcomandante destaca a pluralidade racial do Batalhão e enumera policiais negros que são referência na comunidade, como o soldado Mário Sabino, judoca que disputou as Olimpíadas de Atenas, e o soldado Alexandre Marcos Balbino, que vai receber uma condecoração internacional por sua participação no programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC).
Ainda na nota divulgada à imprensa, Duka reitera a necessidade da criação de uma secretaria ou coordenadoria especial de promoção da igualdade racial.