Em Bauru, principalmente na área central, é raro encontrar uma quadra que não tenha pelo menos um imóvel com paredes pichadas. Algumas casas têm várias inscrições, até uma sobreposta à outra. Mesmo assim, o número de boletins de ocorrência (BOs) por conta de pichação envolvendo menores de 18 anos diminuiu 43% neste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o delegado Abel Abreu, titular da Delegacia da Infância e Juventude (Diju), de janeiro a abril deste ano foram registradas 12 ocorrências de pichação, nove a menos que no mesmo período do ano passado. A redução do número de boletins pode ser reflexo de três situações: que o número de novas pichações diminuiu, que a população está deixando de registrar as ocorrência ou que menores estão pichando menos.
Para o delegado, além do efeito da atuação da polícia, a redução de boletins de ocorrência pode ser reflexo do programa de reeducação para os jovens, que apresenta o grafite artístico em substituição à pichação. Abreu ressaltou, porém, que é muito difícil flagrar um pichador em ação, pois geralmente atua em grupo.
Enquanto um adolescente picha, outros ficam de guarda. Então, defende o delegado, para diminuir a pichação é preciso educar. No final de fevereiro a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil de Bauru (OAB), lançou o projeto “Picharte”. A iniciativa visa desenvolver atividades socioeducativas de prevenção à pichação em Bauru.
A titular da pasta, Egli Muniz, informou que as atividades do “Picharte” devem começar entre o final de maio e o início de junho. O Instituto Bauru foi escolhido para desenvolver o “Picharte”, no qual 100 jovens e adolescentes vão participar de atividades socioeducativas e da oficina de grafite.
A idéia é que esses jovens se tornem pró-ativos na comunidade, trabalhando para a redução da pichação na cidade. “Eles poderão ajudar outros jovens dando depoimentos em escolas e grafitando artisticamente áreas públicas e mesmo espaços privados, deixando a cidade mais agradável”, afirmou Muniz.
Segunda vez
Com o muro de sua casa pichado duas vezes, a professora Cirinéia Cerqueira Leite afirmou que não fez o boletim de ocorrência na segunda ocasião porque acredita que a reclamação não tem efeito. “Já vi casos que os pichadores foram pegos em flagrante, mas que mesmo assim o prejuízo não foi pago”, disse.
Para ela, a fiscalização deveria ser mais efetiva para que as pichações não ocorram. Além disso, a professora engrossa o coro dos que acreditam que a conscientização e a educação são o melhor caminho para evitar os muros pichados. “Por que pichar? Acho que esses jovens poderiam fazer grafites. Se alguém quiser cobrir a pichação do meu muro com desenhos eu vou achar ótimo”, garante a professora.