Nacional

TRE cassa senador por compra de votos

Por João Carlos Magalhães | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Rondônia cassou por unanimidade, na noite de anteontem, o mandato do senador Expedito Júnior (PR), eleito no ano passado. Ele foi considerado culpado da acusação de compra de votos. A ação foi movida por Acir Gurgacz (PDT), o segundo colocado na disputa e um dos principais inimigos do grupo político do governador Ivo Cassol (PPS). Ele será empossado se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não acatar medida cautelar que seria protocolada pela defesa de Expedito ontem.

Também ontem, o TRE comunicou a decisão à presidência do Senado, que, pela lei, não pode contestar a decisão. Mas, segundo Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, dificilmente Expedito será afastado antes do julgamento da medida cautelar. Como a “Folha de S.Paulo” revelou em dezembro, funcionários da Rocha Segurança e Vigilância, empresa de um irmão de Expedito, disseram ter ganho R$ 100,00 para votar no senador e no governador Ivo Cassol.

A mulher de Expedito, eleita suplente de deputado estadual, e outro irmão dele, que não se elegeu para a Câmara, também teriam sido beneficiados pelo suposto crime eleitoral. A ação do Ministério Público Eleitoral se transformou em um inquérito da Polícia Federal (PF), que concluiu que Expedito tinha ordenado a compra de votos.

O inquérito apontou ainda que mais de 900 vigilantes da Rocha receberam dinheiro. Segundo a PF, após receber o dinheiro, eles assinavam documento dizendo trabalhar na campanha de Carlos dos Reis Batista (Prona), que era da Casa Militar do governo e não se elegeu deputado estadual. As testemunhas disseram não conhecê-lo.

A PF diz que Batista atuou como “laranja”, legalizando o dinheiro da irregularidade. Com 40 votos, ele gastou R$ 164 mil na campanha, principalmente com pagamentos de R$ 100,00 a 960 pessoas. Em fevereiro, testemunhas foram inseridas no programa de proteção à testemunha da PF, após se dizerem ameaçadas por policiais civis. Todos os suspeitos do caso sempre se declararam inocentes. Devido ao suposto envolvimento com o caso, o governador Ivo Cassol também é alvo de ações no TSE e no TRE.

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